Crescem as denúncias por procedimentos estéticos feitos por não médicos

Complicações em procedimentos estéticos têm chamado a atenção do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Desde 2024, o órgão passou a receber um volume crescente de relatos envolvendo intervenções feitas por profissionais não médicos — entre eles dentistas, biomédicos e fisioterapeutas. No primeiro ano de registro, foram 248 denúncias. Em 2025, o número chegou a 472. A maioria envolve preenchimentos faciais e aplicações para modelagem corporal.

Entre as técnicas que mais preocupam estão os procedimentos realizados com polimetilmetacrilato (PMMA), substância definitiva que, apesar de não ser absorvível pelo organismo, tem sido amplamente utilizada para aumento dos glúteos. Casos de infecções, necroses, deformidades permanentes e complicações sistêmicas graves estão entre os desfechos mais frequentes relatados por pacientes.

De acordo com o cirurgião plástico Fernando Amato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBP), os preenchedores definitivos, como é o caso do PMMA, por serem substâncias estranhas ao corpo, podem causar formação de biofilme e inflamação local crônica, além de aumentar a possibilidade de infecção, que, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações mais graves.

Crédito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodução sem autorização)
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Para Amato, que também integra a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS), a segurança começa antes mesmo da intervenção.

“Entendo que o ideal são, pelo menos, três consultas antes da cirurgia: a primeira para que o médico e o paciente se conheçam, alinhem a proposta cirúrgica e solicitem exames; a segunda para revisão detalhada do planejamento e dos exames; e a terceira para esclarecer dúvidas. Sempre peço que um familiar acompanhe uma das consultas para evitar qualquer desinformação. Só agendo a cirurgia quando o paciente entendeu e concordou com a proposta cirúrgica e quando todos os exames já foram realizados. É nessa fase inicial que começamos a minimizar possíveis complicações”, detalha o especialista Fernando Amato ressalta ainda importância de a equipe rever com o paciente o planejamento cirúrgico pelo menos três dias antes da cirurgia.

Pós-operatório

Segundo o especialista, a assistência adequada após a cirurgia é determinante para evitar agravamentos. Complicações podem ocorrer mesmo em procedimentos realizados corretamente — por isso, o acompanhamento contínuo é parte essencial da segurança.

“Às vezes, o médico está em cirurgia e não consegue se comunicar. Mas, se ele conta com uma equipe médica bem estabelecida, o suporte poderá ser dado ao paciente. Lidar e gerenciar possíveis complicações com uma equipe que acompanha o paciente desde antes da cirurgia é muito mais tranquilo. A confiança do paciente no médico influencia muito no pós-operatório”, afirma.

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