34% dos cirurgiões pensam em se aposentar mais cedo por desgaste físico

As posições muitas vezes desconfortáveis dos médicos cirurgiões para exercerem seu ofício é um problema de ergonomia que acomete profissionais de todo o mundo. Uma pesquisa encomendada pela empresa CMR Surgical ouviu 462 cirurgiões sobre o impacto físico da atividade desses profissionais. Mais de 70% dos médicos entrevistados disseram que sentem dores musculares ou nas costas durante, ou como resultado, da realização das cirurgias e, mais de 34% consideram a possibilidade de se aposentar mais cedo.

Conduzido pela Bryter, empresa de pesquisa de mercado, o estudo abrangem 152 cirurgiões no Reino Unido, 158 nos Estados Unidos e 152 na Alemanha, que realizam cirurgias ginecológicas, colorretais ou de hérnia. Entre os médicos que afirmaram sentir dores, quase 50% disseram que os motivos são as posições e movimentos desajeitados exigidos pelos procedimentos cirúrgicos ou a necessidade de ficar em pé durante um período prolongado.

Equipe do Frimley Health NHS Foundation Trust, no Reino Unido, utilizando robô cirúrgico

Alguns entrevistados disseram que, frequentemente, precisam “torcer” o corpo em posições incômodas, particularmente durante a cirurgia laparoscópica, permanecendo dessa forma durante muito tempo.

Um fato que chamou a atenção é que 39% dos cirurgiões no Reino Unido, 36% nos Estados Unidos e 26% na Alemanha consideram provável ou muito provável que precisem se aposentar mais cedo devido ao impacto físico da profissão na sua própria saúde. Além disso, 1 em cada 10 cirurgiões afirmaram sentir dores na mão devido ao seu uso excessivo durante as cirurgias. Dor e inflamação nas articulações, dores no pescoço e ombros também foram problemas citados como frequentes.

“Sabemos que movimentos repetitivos e posições desconfortáveis durante os procedimentos cirúrgicos impactam de forma significativa na qualidade de vida dos médicos cirurgiões. É alarmante saber que esses profissionais estão considerando a aposentadoria antecipada devido ao impacto físico do seu ofício”, comenta Marcio Coelho, Head of Operations LATAM da CMR Surgical. A empresa lançou recentemente o robô cirúrgico Versius®.

Cirurgia robótica

Marcio Coelho

A cirurgia roboticamente assistida tem se mostrado uma importante aliada para questões de ergonomia relacionadas aos médicos cirurgiões. A tecnologia possibilita que o médico cirurgião trabalhe de forma mais confortável e com menor desgaste físico, já que o profissional pode variar entre operar sentado ou em pé, podendo mudar de posição facilmente durante um mesmo procedimento cirúrgico, o que reduz o desgaste de se manter na mesma posição por horas.

De acordo com a empresa, a tecnologia também garante maior precisão na cirurgia com visualização por meio da visão 3D HD. “Outra vantagem, é que o robô cirúrgico reduz a curva de aprendizagem para os cirurgiões interessados em realizar a cirurgia minimamente invasiva quando comparado com a cirurgia laparoscópica manual. Isso porque a tecnologia proporciona um treinamento mais simples e rápido com o fácil manuseio do equipamento, sem a necessidade de realizar o movimento reverso para conduzir a cirurgia”.

Outros benefícios associados à cirurgia roboticamente assistida são redução do risco de infecções nos pacientes, melhores resultados clínicos e menor tempo de permanência hospitalar, menos complicações e reinternações. Os instrumentos de apenas 5mm contribuem para o menor trauma cirúrgico em comparação com os instrumentos tradicionais robóticos e laparoscópicos.


(Foto de Suzana Mendes)