Einstein certifica especialistas em cirurgia robótica do tórax

O Centro de Treinamento em Cirurgia Robótica (CETEC) do Hospital Israelita Albert Einstein começa, nesta semana, a certificar especialistas em cirurgia robótica torácica, que tem entre suas principais aplicações o tratamento de câncer de pulmão – o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil. Em janeiro, o CETEC foi certificado pela Intuitive Surgical – fabricante dos robôs cirúrgicos e responsável pelo treinamento dos principais centros mundiais de cirurgia robótica – como primeira instituição de ensino do Brasil autorizada a qualificar especialistas de toda a América do Sul na modalidade torácica.

O primeiro brasileiro que acaba de ser capacitado pelo centro em cirurgia robótica torácica é Marcos Samano, coordenador do Programa de Transplante Pulmonar do Einstein e especialista em cirurgia torácica. Até o final do ano, o CETEC deverá certificar mais quatro profissionais na especialidade.

“Os especialistas brasileiros não precisarão mais viajar ao exterior para se qualificar em cirurgia robótica torácica, o que tem sido impossível em tempos de pandemia, criando uma demanda que não estava sendo atendida. Para os pacientes, representa a possibilidade de se submeter em vários centros do país a uma técnica extremamente precisa e segura, realizada por um cirurgião altamente qualificado”, afirma Nam Jin Kim, Gerente Médico do Programa de Cirurgia e Cirurgia Robótica do hospital e Coordenador Geral das Pós-graduações de Cirurgia Robótica do Einstein.

As cirurgias robóticas podem ser realizadas pelo SUS em vários hospitais públicos do país. No caso do procedimento de tórax, além do câncer de pulmão, a cirurgia robótica tem indicação em casos de metástase desta doença, tumores do mediastino (espaço entre os dois pulmões no centro do tórax), miastenia grave (doença autoimune crônica que provoca fraqueza progressiva da musculatura), entre outras. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, apenas entre 2020 e 2022, serão diagnosticados no Brasil cerca de 30 mil novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquio, o que representa uma grande demanda para este tipo de cirurgia.

“A cirurgia robótica realiza cortes menores, reduz o tempo cirúrgico, de internação e o sangramento, diminui as dores e complicações pós-operátórias e promove uma recuperação mais rápida do paciente. Além disso, consegue atingir áreas inacessíveis a outros procedimentos”, explica Jin Kim.

Segundo ele,  os benefícios ocorrem porque o robô oferece uma visão tridimensional do campo operatório, filtro de tremor, instrumentos articulados que possibilitam maior amplitude de movimentos e grande habilidade em suturas. Com isso, os médicos conseguem visualizar o local com grande detalhe, o que não seria possível por laparoscopia ou cirurgia tradicional.

O Einstein é uma das instituições que mais realiza cirurgia robótica no Brasil, é centro de referência no procedimento e a maior plataforma de ensino robótico da América Latina, com mais de 300 cirurgiões em treinamento, sendo 200 pós-graduandos de todo Brasil. Desde que foi criado, em 2008, realizou mais de 12 mil cirurgias robóticas nas áreas de urologia – a mais procurada para cirurgias da próstata -, ginecologia, cirurgia geral, coloproctologia e cirurgia torácica. Essas são também as especialidades nas quais a instituição desenvolve capacitação profissional.