ChatGPT Health amplia o acesso, mas exige cautela e mediação

O uso de ferramentas de inteligência artificial no cuidado em saúde pode ampliar o acesso à informação e favorecer um papel mais ativo do paciente, mas exige cautela, responsabilidade e mediação médica. O alerta é do urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador-geral dos departamentos cirúrgicos oncológicos da BP, ao comentar o avanço de soluções digitais voltadas à interpretação de dados de saúde e ao apoio à tomada de decisão do paciente.

De acordo com o especialista, a tecnologia pode contribuir para melhorar a compreensão de informações clínicas, mas não deve ser confundida com substituição do acompanhamento profissional. “Os resultados de exames nem sempre são escritos em uma linguagem acessível. Quando o paciente compreende as informações, ele se empodera delas e reflete positivamente em maior adesão ao tratamento, quando necessário. Porém, é fundamental que ele retorne às consultas para receber a orientação correta”, afirma Guimarães. Para ele, o acesso ampliado à informação só se traduz em benefício quando está inserido em uma relação estruturada entre paciente e profissional de saúde.

ChatGPT Health

O alerta ganha relevância no contexto do lançamento do ChatGPT Health, anunciado em janeiro de 2026 pela empresa de tecnologia OpenAI. O novo serviço é dedicado ao cuidado da saúde do usuário e propõe integrar registros médicos e aplicativos de saúde e bem-estar, como Apple Health, Function e MyFitnessPal, para contextualizar as interações com a inteligência artificial. Inicialmente disponível para um grupo restrito de usuários, o ChatGPT Health tem previsão de liberação para todos os usuários na web e no iOS nas próximas semanas.

Segundo a OpenAI, a ferramenta foi desenvolvida para ajudar o usuário a compreender melhor resultados de exames, se preparar para consultas médicas e receber orientações gerais sobre alimentação, atividade física e hábitos de vida. A empresa ressalta que o serviço não substitui o atendimento de um profissional de saúde, mas se propõe a atuar como um recurso de apoio para esclarecimento de dúvidas e ampliação do entendimento sobre a própria saúde. A conexão com diferentes aplicativos e fontes de dados busca oferecer uma visão mais integrada das informações do usuário, em um cenário marcado pela fragmentação de registros e pela dificuldade de acesso contínuo à orientação especializada.

Essa fragmentação é apontada como um dos principais desafios do cuidado em saúde na atualidade. Informações clínicas costumam estar distribuídas entre diferentes sistemas, plataformas e ferramentas de monitoramento, o que dificulta a compreensão global do estado de saúde e limita a participação ativa do paciente nas decisões sobre seu cuidado. Para a OpenAI, a tecnologia pode funcionar como um elo entre dados dispersos, promovendo maior organização das informações e apoiando o usuário na gestão da própria saúde.

Conforme explica Gustavo Guimarães, a possibilidade de chegar mais preparado às consultas pode tornar o tempo com o especialista mais produtivo, especialmente em um contexto em que a consulta médica média dura menos de 15 minutos e há longos intervalos entre os atendimentos. “É muito importante o paciente estar preparado para trazer as suas principais dúvidas para as consultas com especialistas e uma ferramenta que contribua para isso é bem-vinda”, destaca. Para ele, a preparação prévia favorece o diálogo, reduz ruídos de comunicação e contribui para decisões mais alinhadas às necessidades individuais.

Ainda de acordo com o médico, é essencial estabelecer limites para o uso de orientações geradas por inteligência artificial, especialmente no que diz respeito a hábitos de vida. “As orientações sobre alimentação e atividade física, por exemplo, geradas por inteligência artificial, não podem substituir o acompanhamento de profissionais de saúde”, afirma. Guimarães reforça que a personalização do cuidado, baseada em evidências científicas, histórico clínico e avaliação presencial, permanece como pilar da prática médica.

A OpenAI informa que o desenvolvimento do ChatGPT Health contou com a participação de equipes médicas e incluiu a criação de camadas adicionais de proteção específicas para a área da saúde. As conversas realizadas dentro do serviço serão mantidas em um ambiente separado, com privacidade reforçada para a proteção de dados sensíveis, e não serão utilizadas para o treinamento dos modelos da empresa. A iniciativa busca responder a preocupações relacionadas à confidencialidade das informações de saúde e ao uso ético de dados pessoais em sistemas baseados em inteligência artificial.

Atualmente, o ChatGPT recebe perguntas relacionadas à saúde de mais de 230 milhões de pessoas em todo o mundo a cada semana, segundo a empresa. Esse volume expressivo evidencia a demanda crescente por informação em saúde e o papel das plataformas digitais como fontes de esclarecimento para a população, especialmente em contextos em que os sistemas de saúde enfrentam sobrecarga, limitações de acesso ou falhas de comunicação. Para a OpenAI, a tecnologia passou a funcionar como um espaço de empoderamento do usuário, ao permitir maior autonomia na busca por informações sobre saúde e bem-estar.

Gustavo Guimarães reconhece que esse movimento é irreversível e precisa ser compreendido de forma estratégica. “O uso de ChatGPT e outras ferramentas de IA são uma realidade, do presente e futuro, que médicos e demais profissionais da saúde precisam compreender. A prática clínica precisa ser adaptada, da melhor forma para, assim, refletir positivamente na relação com o paciente. Com isso, todos irão usufruir ao máximo desta tecnologia, não colocando em detrimento o conhecimento prático, baseado em evidência, do especialista”, avalia.

Em um cenário de informações fragmentadas e consultas breves, conclui Guimarães, a integração equilibrada entre tecnologia e prática clínica surge como um dos principais desafios e oportunidades para o futuro do cuidado em saúde.

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