Monitoramento tornou-se o maior ativo da cadeia farmacêutica

Por Glenn Abood

A velocidade tornou-se tema predominante na pandemia. Qual é o ritmo de transmissão da Covid-19? Com que rapidez as vacinas poderão ser fabricadas e distribuídas? Em quanto tempo voltaremos à vida normal? Nesse cenário, o que é correto hoje pode ser um equívoco total amanhã. Em 2021, a certeza representa uma mercadoria rara e valiosa, o que faz do monitoramento um ativo obrigatório para a cadeia farmacêutica e de saúde.

Nunca um fato revelou tantas deficiências nas cadeias de abastecimento como a Covid-19. E a pandemia foi além ao sobrecarregar essa atividade. Os aviões de passageiros transportam agora mais de 50% dos volumes de frete aéreo global e a oferta de voos ainda caiu aproximadamente 40%. Com a competição por recursos cada vez mais escassos, a agenda dos atores da cadeia de suprimentos exigiu novas avaliações de risco e atuação rápida para manter os insumos em movimento.

Essa responsabilidade aumentou com a maior vulnerabilidade das pessoas. É absolutamente necessário que mais pacientes recebam seus medicamentos na hora certa, com entregas confiáveis e proteção contra desvio, roubos e uma grande ameaça à cadeia de frio – as variações de temperatura, cujas perdas para a cadeia fria são projetadas em US$ 15 bilhões ao ano. Considerando os custos com a reposição e perdas logística, o número salta para US$ 35 bilhões. E basta o erro em uma instância – no fabricante, na transportadora ou no dispensador – para que haja um efeito cascata.

A tecnologia trouxe ganhos para o trabalho de monitoramento da cadeia, ao sinalizar em tempo real parâmetros associados à temperatura e umidade, com armazenamento dos dados na memória interna. Mas a maior parte dessas informações só é fornecida depois da chegada de uma remessa. A memória, então, é removida e passa a ser acessada somente por um dispositivo independente. Resultado: as demandas do setor superam as capacidades.

Hoje, o monitoramento ambiental dinâmico e cheio de recursos tornou-se realmente prático com o advento da Internet das Coisas (IoT). Minúsculos sensores comunicam-se com um servidor em nuvem em tempo real, enviando dados valiosos sobre as condições ambientais e a localização. Os dispositivos podem monitorar de um “nível superior”, como a parte traseira de um caminhão refrigerado ou um contêiner de um avião; ou no nível de palete, por meio de um frasco num refrigerador.

Mas agora, estamos no meio do esquema de distribuição de vacinas mais ambicioso da história, o que pressupõe desafios extras para a cadeia farmacêutica. Até porque, historicamente, os imunizantes são monitorados no nível de palete, não no nível da dose. A indústria, fatalmente, terá que serializar cada frasco nesse contexto de pandemia e em meio a novas exigências legais como a rastreabilidade de medicamentos. A entrega ao destino final – a última milha – transforma-se em uma etapa particularmente preocupante, onde a cadeia fria está no seu ponto mais fraco.

O que a cadeia de frio da vacina precisa, então, é de velocidade e certeza. O monitoramento ambiental em tempo real, por definição, é rápido. Os sensores IoT comunicam dados virtualmente e instantaneamente. Uma boa solução de monitoramento rastreará todos os principais parâmetros da cadeia, incluindo temperatura, umidade, luminosidade, choque, vibração e pressão. O fluxo do medicamento será acompanhado por GPS em terra, mar e ar, de qualquer parte do mundo.

Isso significa maior capacidade para tomada de decisões dos gestores, com visibilidade do processo de ponta a ponta. Um benefício fundamental para as circunstâncias atuais e para os dias desafiadores que ainda virão.


* Glenn Abood é CEO da rfxcel, empresa global especializada em soluções de rastreabilidade e serialização.