Demografia Médica 2026: mulheres se tornam maioria entre médicos em São Paulo
O Demografia Médica do Estado de São Paulo 2026 é um recorte estadual da Pesquisa Nacional Demografia Médica, que tem como objetivo entender a situação atual da profissão, além de medir expectativas sobre ela. A pesquisa aponta que o Estado de São Paulo encerrou o ano com quase 200 mil médicos, sendo que 40% deles pertencem ao grupo de médicos generalistas, ou seja, que não possuem especialidade. Segundo o professor Mário Scheffer, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e responsável pela pesquisa, a quantidade esperada de profissionais até 2035 é de 340 mil médicos.
A pesquisa revelou que, dentre as regiões de saúde dentro do Estado, nenhuma possui uma escassez absoluta de médicos. “Mesmo regiões que historicamente têm mais dificuldades assistenciais, como Registro, por exemplo, estão com mais oportunidades de oferecer médicos para os sistemas de saúde locais, mas permanece um pouco a desigualdade entre as regiões sobre a quantidade de profissionais oferecidos. Além disso, como São Paulo tem uma rede privada muito extensa, então há também uma sobreposição de desigualdade a favor de uma rede privada que não atende o SUS. O estudo também detalhou não só a oferta de médicos em geral, mas principalmente a oferta de médicos especialistas em cada região”.

Sobre a quantidade de médicos especialistas, o professor comenta que, “além do aumento de médicos em geral, aumentou a oferta de especialistas, mas não na mesma velocidade da chegada de recém-formados dos cursos de graduação. Em São Paulo, cerca de 60% dos médicos – em torno de 118 mil profissionais – são especialistas. Ocorre que os especialistas estão ainda mais concentrados regionalmente que os médicos em geral, eles estão concentrados também em algumas especialidades. E, entre os especialistas, nós percebemos também que cerca de 60%, um pouco menos de 70%, na verdade, concluíram residência médica. Os demais se tornam especialistas por meio de título em sociedade de especialidade, que é um modelo adequado, mas isso demonstra uma insuficiência das vagas de residência médica para dar conta desse grande número de médicos que chegam ao mercado de trabalho, recém-saídos das escolas médicas, que aumentaram em número”.
“São 40% dos médicos que não têm título em especialidade, o que o nosso estudo chama de generalista. Então, a população do Estado de São Paulo está sendo, em boa parte, atendida por médicos recém-saídos do sexto ano e que não têm acesso à residência médica, não conseguem entrar em programas de residência médica, ou mesmo por opção profissional decidem já atuar no mercado de trabalho […] são contratados para atuar na atenção primária, no pronto atendimento, em plantões. São fundamentais também iniciativas para ampliar essa formação especializada via residência médica, mas também voltada à qualificação desses profissionais que não têm título de especialista e saíram recentemente da graduação, para que eles sejam capazes de resolver a maioria dos problemas de saúde das pessoas”.
Mais médicas no mercado
O cenário foi marcado também pelo aumento do número de médicas. “A medicina em São Paulo e a fisionomia da profissão estão mudando. As mulheres se consolidaram como maioria na medicina. Isso já ocorria ali entre os estudantes de graduação e entre os médicos residentes, mas pela primeira vez, agora em 2025, elas passaram a representar um pouco mais de 50% dos médicos. A projeção é que a medicina vai se tornar cada vez mais feminina, devendo chegar a 70% da profissão daqui a 10 anos. Elas já são maioria em 22 das 55 especialidades médicas […] agora, estudos anteriores nossos mostraram que, apesar desse aumento numérico, as mulheres médicas têm menor remuneração, ocupam menos cargos de liderança na educação médica, nas entidades médicas e são subrepresentadas em mais de 30 especialidades médicas, onde são maioria”. (Com informações do Jornal da USP)

