Antibióticos: por que o uso incorreto ainda preocupa a comunidade médica

O uso incorreto de antibióticos continua sendo uma das principais preocupações da comunidade médica no Brasil e no mundo. Considerada uma das maiores ameaças globais à saúde pública, a resistência bacteriana tem avançado silenciosamente, impulsionada principalmente pela automedicação, interrupção precoce de tratamentos e pelo uso inadequado desses medicamentos em doenças virais, como gripes e resfriados.

Os antibióticos são indicados exclusivamente para o tratamento de infecções bacterianas, mas ainda é comum que parte da população utilize o medicamento de forma indevida, acreditando que ele pode acelerar a recuperação de quadros respiratórios comuns. O comportamento, além de não trazer benefício clínico, pode dificultar tratamentos futuros e reduzir a eficácia dos medicamentos disponíveis.

Um levantamento inédito, publicado na revista científica PLOS One, revela a dimensão do consumo de antibióticos no país. O estudo aponta que mais de 4,5 trilhões de doses de antibióticos de uso sistêmico foram dispensadas no Brasil entre 2014 e 2020, com base em registros do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), mantido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A pesquisa identificou variações expressivas no consumo, que oscilaram entre 9,8 e 12,9 doses diárias definidas (DDD) por 1.000 habitantes/dia, além de disparidades significativas entre os estados brasileiros.

A resistência bacteriana ocorre quando as bactérias passam a não responder mais aos antibióticos, tornando infecções simples mais difíceis de tratar e aumentando o risco de complicações. O problema já é considerado um desafio global, pois pode comprometer cirurgias, tratamentos hospitalares e até procedimentos de rotina que dependem desses medicamentos para prevenção de infecções.

Segundo o médico infectologista do Hospital Oto Aldeota, Danilo Campos, o cenário é agravado pelo baixo nível de entendimento da população sobre o uso correto dos medicamentos. “Muitas pessoas ainda interrompem o tratamento antes do tempo recomendado, utilizam antibióticos sem prescrição médica ou compartilham medicamentos com familiares, práticas que contribuem diretamente para o aumento da resistência bacteriana”, aponta o infectologista.

“O uso responsável dos antibióticos envolve diagnóstico correto, prescrição médica adequada e cumprimento rigoroso do tratamento”, complementa Danilo. A orientação é que qualquer sintoma de infecção seja avaliado por um profissional de saúde, evitando a automedicação e garantindo o tratamento mais seguro e eficaz.

O especialista reforça que a conscientização da população é fundamental para reduzir os riscos da resistência bacteriana e preservar a eficácia dos antibióticos para as próximas gerações. O cuidado com a saúde, aliado à informação correta, é apontado como o principal caminho para evitar complicações e fortalecer a segurança dos tratamentos médicos.

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