Anahp mostra recuperação das operadoras, mas hospitais ainda enfrentam pressão financeira
A recuperação econômico-financeira das operadoras de planos de saúde segue em consolidação, mas seus efeitos ainda não chegam aos hospitais na mesma intensidade. Essa é uma das principais conclusões da 10ª edição do Balanço Observatório Anahp, publicação trimestral da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), elaborada com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), indicadores dos hospitais associados e análises da Arquitetos da Saúde.
No primeiro trimestre de 2026, mais de 80% das operadoras registraram resultado positivo, consolidando a trajetória de recuperação do setor, favorecida pela desaceleração da sinistralidade e da variação dos custos médico-hospitalares (VCMH).
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que os hospitais vêm contribuindo para esse cenário ao reduzir sua participação nas despesas assistenciais e na composição da VCMH. Apesar disso, os prestadores seguem enfrentando desafios para manter sua sustentabilidade financeira, com impactos sobre o fluxo de caixa e a capacidade de investimento.

“A recuperação das operadoras é positiva e necessária para toda a cadeia da saúde suplementar. Entretanto, é fundamental que esse movimento também se reflita na sustentabilidade dos hospitais, que continuam investindo em qualidade assistencial, inovação e segurança do paciente mesmo diante de margens pressionadas. O equilíbrio do sistema depende da sustentabilidade de todos os seus integrantes”, afirma Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp.
Hospitais ampliam eficiência, mas pressão financeira persiste
Os hospitais associados à Anahp registraram melhora dos indicadores operacionais no primeiro trimestre de 2026. A taxa média de ocupação subiu para 76,85%, ante 75,66% no mesmo período de 2025, enquanto a média de permanência caiu para 3,72 dias, o menor patamar da série histórica, refletindo ganhos de eficiência assistencial.
Apesar desse avanço, o cenário financeiro continua desafiador. O prazo médio de recebimento das contas hospitalares recuou de 74,31 para 73,84 dias, mas permanece muito acima do prazo médio de pagamento aos fornecedores, de 48,38 dias, pressionando o capital de giro das instituições.
As glosas seguem impactando os resultados, com índice médio de glosa aceita contábil de 1,61% da receita bruta de convênios. A margem EBITDA também manteve trajetória de queda, alcançando 9,45% no trimestre, o que reduz a capacidade de investimento dos hospitais.
A publicação mostra ainda que receitas e despesas continuam crescendo. A despesa total já representa cerca de 94% da receita líquida das instituições, evidenciando que, embora mais eficientes operacionalmente, os hospitais continuam convivendo com margens estreitas e desafios para garantir sua sustentabilidade econômico-financeira
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