Mais de 1 milhão de brasileiros vivem com Alzheimer

O Brasil já soma mais de 1 milhão de pessoas vivendo com Alzheimer, segundo estimativas epidemiológicas. A doença, que vem apresentando crescimento progressivo nos últimos anos, acende um alerta para a importância do diagnóstico precoce e da informação à população.

De acordo com o neurologista Edson Marquez, do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), muitos casos começam de forma silenciosa e acabam sendo confundidos com alterações normais do envelhecimento.

“A maioria dos casos começa com pequenos esquecimentos que muita gente considera ‘coisas da idade’. Mas quando esses lapsos passam a interferir na rotina e na autonomia da pessoa, é preciso investigar”, explica o especialista.

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória, mas também compromete funções como linguagem, raciocínio e comportamento. Segundo o neurologista, isso ocorre porque as primeiras áreas cerebrais atingidas são justamente as responsáveis pelo armazenamento e organização das lembranças.

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“O sintoma inicial mais comum é o esquecimento de fatos recentes, repetição de perguntas e dificuldade para lembrar compromissos. Com a progressão, pode surgir confusão temporal, alterações de humor e dificuldade para realizar tarefas simples”, destaca.

Genética não é a principal causa

Um dos pontos que mais gera dúvidas, segundo o médico, é a relação da doença com a hereditariedade. “Apenas cerca de 5% dos casos são de origem genética. Isso significa que 95% não têm uma causa aparente definida. O Alzheimer não é uma doença 100% hereditária, como muitas pessoas imaginam”, esclarece Marquez.

Envelhecimento normal x Alzheimer

O neurologista também reforça a diferença entre o esquecimento comum do envelhecimento e os sinais da doença.

“No envelhecimento normal, a pessoa pode demorar um pouco mais para lembrar, mas depois consegue recuperar a informação. No Alzheimer, a memória pode simplesmente não voltar. A pessoa esquece algo que aconteceu há poucos minutos e, em fases mais avançadas, pode não reconhecer pessoas próximas.”

Diagnóstico precoce faz diferença

Embora ainda não exista cura, o diagnóstico precoce é determinante para retardar a evolução da doença e preservar a qualidade de vida.

“Quanto antes identificamos, mais cedo iniciamos medicações e intervenções multidisciplinares, como estimulação cognitiva e acompanhamento familiar. Isso impacta diretamente na evolução do quadro”, ressalta o neurologista do MPHU.

O especialista reforça que o principal sinal de alerta é quando o esquecimento começa a comprometer a identidade e a autonomia do indivíduo. “Esquecer não é normal quando começa a apagar quem você é”, conclui.

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