ABCDT e SBN solicitam aporte ao MS para tratar pacientes renais com Covid

A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) e a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) formalizaram solicitação de aporte financeiro ao Ministério da Saúde para as clínicas de diálise que prestam serviços ao SUS tratarem pacientes renais crônicos que venham a ser contaminados com o COVID-19. O incentivo é direcionado às particularidades do cuidado com pacientes que realizam Terapia Renal Substitutiva (TRS), garantindo as necessárias condições de segurança aos profissionais que atendem estes pacientes fora do ambiente hospitalar.

O presidente da ABCDT, Yussif Ali Mere Junior, explica que os procedimentos visam propiciar o adequado tratamento à população dialítica, já considerada de alto risco e constituída em grande parte por pacientes diabéticos e com outras comorbidades que precisam manter seu tratamento de forma crônica nas mais de 700 unidades de diálise espalhadas pelo país. Assegura ainda a qualidade dos profissionais de saúde que atuam nesses estabelecimentos, considerando o alto risco de contaminação.

“Diante desse quadro de pandemia, é emergencial que o Ministério da Saúde também tenha uma atenção especial com este setor, que garante a vida de mais de 130 mil brasileiros e brasileiras que dependem da hemodiálise para sobreviver. Nossa maior preocupação é tratarmos diariamente de um público com debilidades específicas, aliada ao grande potencial de mortalidade que o COVID-19 pode atingir nesses pacientes”, ressalta Yussif Ali Mere Junior. Ele completa lembrando a grave crise financeira e os desafios que as clínicas prestadoras de assistência aos pacientes renais crônicos em diálise vivem historicamente.

Entre as medidas que precisam ser adotadas nos casos de pacientes renais crônicos positivos ao COVID-19, estão a aquisição de equipamentos de proteção individual, a criação de local próprio de isolamento para a COVID 19 nas unidades de diálise, a abolição do reuso nos casos de pacientes infectados confirmados. Estão sendo consideradas a contratação emergencial de pessoal qualificado para atender esses pacientes, viabilizando a criação de turnos extras para realizar hemodiálise nos infectados, além do pagamento de hora extra para funcionários que poderão vir a cobrir o turno de outros funcionários afastados por contraírem a COVID 19.

Também visando minimizar a possível disseminação do coronavírus, a ABCDT e a SBN se colocaram à disposição para traçar, juntamente com a equipe técnica do Ministério da Saúde, um protocolo para orientação às clínicas de diálise quanto ao atendimento de pacientes que apresentem suspeita ou doença secundária à infecção.