Gastos com saúde ganham peso no orçamento de quem mora sozinho com avanço da idade
Morar sozinho representa um importante passo rumo à independência, mas também exige organização financeira em todas as áreas da vida, incluindo a saúde. Uma pesquisa realizada pela Serasa mostra que quanto mais avançada a idade, maior é o peso dos gastos médicos no orçamento de quem vive só. Cerca de 40% das pessoas da Geração X e Baby Boomers gastam mais de R$ 500 por mês com saúde. Entre a Geração Y, 41% gastam menos de R$100 mensais com esse tipo de despesa, proporção semelhante à da Geração Z, em que 49% pagam menos de R$ 100 por mês.
O peso da saúde no orçamento também aparece na hora de escolher quais contas priorizar. Entre as pessoas nascidas entre 1946 e 1980, que compõem a Geração X e os Baby Boomers, 25,4% colocam as despesas com saúde entre as principais prioridades de pagamento, um reflexo de como os cuidados médicos ganham espaço no orçamento à medida que a população envelhece. Já entre a Geração Y, esse índice cai para 11,9%, e entre a Geração Z, para 10,6%.
O comportamento se repete quando o assunto é o aumento dos custos. Entre as despesas que mais subiram nos últimos 12 meses, a saúde se destaca com 39% entre a Geração X e Baby Boomers, um percentual mais de três vezes superior ao da Geração Y (12,5%) e também maior do que o da Geração Z (18,3%).
Apesar desse peso crescente, o levantamento mostra que a maior parte de quem vive sozinho, independentemente da geração, ainda depende da rede pública de saúde. Quase sete em cada dez entrevistados (69,9%) utilizam o SUS, enquanto apenas 13% possuem plano de saúde pago por conta própria ou pela família. Outros 15,1% contam com plano oferecido pela empresa e 13,7% recorrem a consultas particulares, o que reforça que o acesso à saúde privada ainda é restrito para a maior parte desse público.

“Os dados mostram que a saúde vira uma prioridade financeira à medida que a idade avança, e isso exige ainda mais planejamento para gastos emergenciais. É importante ter uma reserva pensada para os cuidados médicos. Entender esse cenário é o primeiro passo para organizar as finanças de forma mais segura em cada fase da vida”, explica Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
Viver só ou dividir a casa apresenta pouca diferença no comportamento financeiro
Apesar da autonomia ser um dos grandes atrativos de morar sem companhia, do total de quem vive sozinho, 25% consideram difícil administrar as próprias despesas e 20% avaliam essa tarefa como muito difícil. Entre quem mora com familiares, como cônjuge, filhos ou pais, o cenário é semelhante: 25% relatam dificuldade e 19% dizem ser muito difícil dar conta dos pagamentos.
A alta de preços também segue um padrão parecido nos dois grupos, concentrada nas despesas essenciais. Tanto para quem vive só quanto para quem mora com a família, o supermercado foi o item que mais pesou no orçamento no último ano, apontado por 80% dos entrevistados, seguido pelas contas recorrentes da casa, como água, luz e internet, citadas por 51%. A diferença aparece no terceiro lugar do ranking. Para quem vive sozinho, 34% apontam gastos com moradia, como aluguel, financiamento ou condomínio, ante 27% entre quem mora com a família.
Essa pressão se reflete diretamente na hora de decidir quais contas manter em dia. Entre quem vive por conta própria, a ordem de prioridade é clara: contas recorrentes (75%), supermercado (74%) e moradia (53%) ocupam o topo da lista. Já entre quem mora com familiares, os percentuais mudam, mas o padrão se repete. O maior desafio financeiro de quem vive só ou com a família continua concentrado nos gastos essenciais.
“Os dados mostram que morar sozinho deixou de ser apenas uma conquista de independência para se tornar também um grande desafio de gestão financeira, que está cada vez menos relacionado aos gastos supérfluos e cada vez mais concentrado nas despesas essenciais. Quando esses custos passam a consumir uma parcela maior da renda, sobra menos espaço para criar uma reserva financeira e lidar com imprevistos. Por isso, planejamento e organização antes da mudança fazem toda a diferença para que esse passo aconteça de forma mais sustentável”, reforça Aline.
Série “Morando Sozinho” leva educação financeira para a vida real
Para apoiar consumidores que estão planejando viver sozinhos, ou que já enfrentam os desafios dessa nova rotina, a Serasa lançou o primeiro episódio da série “Morando Sozinho”, projeto multiplataforma que vai mostrar, de forma prática, quanto custa morar sozinho e quais cuidados financeiros podem tornar essa experiência mais segura.
Ao longo de 24 episódios, especialistas e convidados abordarão temas como planejamento financeiro, aluguel e financiamento, custos da mudança, montagem da casa, organização das contas, formação de reserva de emergência e uso consciente do crédito, junto com convidados. O projeto também contará com guias, planilhas e simuladores para apoiar os consumidores em cada etapa dessa jornada.
Metodologia
Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 22 de dezembro de 2025 e 06 de janeiro de 2026, com 6063 entrevistas online realizadas em todo o Brasil. Para esses dados foi utilizado um recorte de 883 respondentes que declararam morar sozinhos e 4974 que declaram morar com familiares. Os resultados apresentados referem-se exclusivamente a esse público. A margem de erro para o recorte analisado é de 3,3 e 1,3 pp respectivamente.

