Medipreço recebe investimento da BDev Ventures, do Vale do Silício
A Medipreço, healthtech que opera planos de medicamentos como benefício corporativo, anuncia a captação de US$ 500 mil, aportados pela BDev Ventures, venture capital sediado no Vale do Silício e criado pelos fundadores da BairesDev, unicórnio de tecnologia construído por empreendedores latino-americanos. Este é o segundo investimento do fundo no Brasil, já que a primeira startup brasileira a integrar seu portfólio foi a Pipo Saúde, em 2025.

A empresa opera em break-even desde o fim de 2023 e multiplicou seu faturamento por 10 nos últimos 24 meses sem sair do equilíbrio financeiro — cada real de crescimento foi financiado pela própria operação. Como a Medipreço não estava com processo de captação aberto, o investimento nasceu como consequência após quase um ano de relacionamento entre as duas partes, até a BDev Ventures decidir contribuir para acelerar o caminho da healthtech até a série A.
“Nossa disciplina financeira, time forte e produto estruturado nos permitiram crescer 10 vezes sem capital externo. Então, essa captação não foi motivada por gargalo de caixa. O que nos moveu foi trazer um parceiro estratégico no longo prazo e que já viu o plano de medicamentos decolar nos Estados Unidos, há anos atrás”, avalia Bruno Oliveira, CEO e fundador da Medipreço.
Fundada em 2020, a Medipreço cobre mais de 500 mil vidas ao atender mais de 100 grandes empresas e planos de saúde, como Stone, John Deere e Abertta Saúde.
Criada em 2021, a BDev Ventures já investiu em mais de 80 empresas de software B2B nos EUA e na América Latina, com um modelo que combina capital e a WinDifferent, plataforma proprietária de geração de leads — a mesma que escalou a BairesDev. O fundo reporta mais de 220 mil leads entregues e mais de US$ 40 milhões em receita gerada para as investidas.
“A Medipreço reúne o que procuramos em qualquer geografia: eficiência de capital, tecnologia proprietária e um mercado gigante e ainda pouco explorado. No Brasil, onde o acesso a medicamentos por meio de benefícios ainda é exceção e a adoção da inteligência artificial na saúde está apenas começando. Esse é o tipo de empresa que combina capital e geração de demanda, e que nosso modelo pode realmente fazer a diferença”, explica Keshia Theobald-van Gent, Vice-Presidente de Investimentos da BDev Ventures.
Os recursos serão destinados principalmente para acelerar e ampliar a operação da IA de leitura de documentos médicos e análise de dados, na estratégia de expansão comercial, liderada pelo diretor comercial Alessandro Ferri, que acaba de chegar vindo da RaiaDrogasil, e na oferta de serviços de consultoria aos clientes, uma das fortalezas da companhia.
O Brasil é o nono maior mercado farmacêutico do mundo, segundo a IQVIA, e o maior da América Latina. Ainda assim, estima-se que apenas 3% dos brasileiros tenham algum tipo de cobertura para medicamentos, enquanto em mercados maduros o benefício farmacêutico é amplamente ofertado por governos, seguradoras e empregadores. Isso abre um amplo espaço na região para um modelo que já funciona nos Estados Unidos: o acesso subsidiado a medicamentos.
A aposta da Medipreço é que o plano de medicamentos siga o caminho que o plano de academias e odonto percorreram no país. Estudos de pesquisadores como Pedro Américo e Rudi Rocha (Journal of Health Economics, 2020) indicam que subsidiar o acesso a medicamentos reduz hospitalizações e, portanto, custos. “Por isso, a nosso ver, o potencial de mercado é enorme, uma vez que, até agora, ninguém conseguiu fazer isso em grande escala, com segurança e simplicidade para quem usa. É exatamente essa a infraestrutura que construímos”, conclui Oliveira.
O deal contou com a participação dos demais investidores do cap table, que haviam se juntado à companhia em 2021, quando a Medipreço captou R$ 8 milhões como pré-seed. A Arbitral Finance atuou como assessora do acordo.

