IBCC Oncologia realiza, pela primeira vez, tratamento com CAR-T Cell
O IBCC Oncologia realizou, pela primeira vez, um tratamento com terapia CAR-T Cell, uma das mais avançadas imunoterapias disponíveis para pacientes com cânceres hematológicos. O procedimento marca a entrada da instituição entre os centros especializados aptos a oferecer essa tecnologia e amplia o acesso a uma alternativa terapêutica para casos complexos de mieloma múltiplo, linfomas e algumas leucemias.
O primeiro paciente tratado foi Denis Monteiro de Carvalho, de 69 anos, morador de Maceió (AL). Após enfrentar um transplante de medula óssea, ele apresentou uma recaída do mieloma múltiplo. Diante da progressão da doença e após avaliação da equipe especializada, foi considerado elegível para a terapia CAR-T Cell e viajou para São Paulo em busca de uma nova oportunidade de tratamento.
Mesmo em cenários mais complexos, os resultados têm sido expressivos. “Trata-se de uma imunoterapia com altas taxas de resposta, incluindo casos de remissão completa, o que representa um avanço significativo para pacientes que já não respondiam a outras abordagens”, destaca a médica hematologista Maria Cristina Martins de Almeida Macedo, do IBCC Oncologia.

Como funciona na prática
A abordagem utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para atacar o câncer. Na prática, linfócitos T, que são células de defesa naturalmente produzidas pelo organismo humano, são coletados e modificados em laboratório, transformando-se em “supercélulas”.
Após esse processo, essas “supercélulas” são reintroduzidas no organismo do paciente com a expectativa de que, mais fortes, reconheçam e destruam as células tumorais com mais precisão, ampliando a capacidade de resposta do organismo à doença. “É como se o sistema de defesa do organismo fosse aprimorado para atuar de forma mais precisa e direcionada contra a doença”, explica a médica hematologista Maria Cristina Martins de Almeida Macedo, do IBCC Oncologia.
Por ser altamente personalizado, o tratamento exige uma estrutura especializada e integração entre equipes clínicas e laboratoriais. “É uma terapia que requer planejamento, tecnologia e equipe capacitada. Por isso, sua realização está concentrada em centros especializados, preparados para conduzir todas as etapas com segurança”, explica a especialista.
No tratamento com CAR-T cells, os linfócitos T são coletados do próprio paciente por meio de um procedimento chamado aférese, semelhante a uma doação de sangue. “No IBCC, após a coleta das células, o material é enviado para um laboratório no exterior, onde ocorre a modificação genética dos linfócitos T. Esse processo pode levar entre 45 e 60 dias até que as células estejam prontas para serem reinfundidas no organismo”, explica Maria Cristina.
Durante esse intervalo, muitos pacientes precisam realizar a chamada terapia ponte, estratégia utilizada para controlar a evolução da doença até a chegada das “super células”. “Dependendo de cada caso, podem ser indicadas radioterapia ou algumas modalidades de quimioterapia com o objetivo de estabilizar o quadro clínico e manter o paciente em condições favoráveis para receber o tratamento”, afirma a médica.
Complicações
Após a reinfusão das células CAR-T, o paciente permanece internado no hospital para acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional, já que os efeitos colaterais podem surgir nos dias seguintes ao procedimento. “As principais complicações estão relacionadas à resposta intensa do sistema imunológico. Entre elas, destacam-se a síndrome de liberação de citocinas, que pode causar febre, queda de pressão, dificuldade respiratória e alterações cardíacas, além de efeitos neurológicos, como confusão mental, sonolência, dificuldade para falar e tremores”, explica a especialista do IBCC Oncologia.
Por contar com uma Unidade de Hematologia e Transplante de Medula Óssea preparada para realizar diferentes modalidades de transplante em adultos, o IBCC Oncologia se tornou um centro de referência em terapia CAR-T cells, oferecendo acompanhamento multiprofissional e cuidado integral ao paciente.
“Além de toda a expertise do time de profissionais e tecnologia necessária para esse tipo de procedimento, nossos quartos de internação possuem pressão positiva e ar filtrado, o que reduz o risco de infecções após a coleta e reinfusão das células, e uma UTI exclusiva para esse perfil de paciente”, conta.
Perspectivas e evolução contínua
No cenário internacional, a terapia com CAR-T cells segue em rápida evolução, com estudos voltados ao desenvolvimento de novas gerações mais eficazes e seguras. Entre os avanços estão terapias com múltiplos alvos e pesquisas que buscam ampliar a aplicação para tumores sólidos.
Ela acredita que a imunoterapia representa um avanço importante na forma de tratar os canceres hematológicos: “estamos avançando para uma medicina cada vez mais personalizada, em que o próprio organismo do paciente se torna protagonista no combate ao câncer. É uma evolução consistente, que vem ampliando possibilidades terapêuticas de forma muito relevante”, conclui.

