A.C.Camargo consolida modelos de Bundle e compartilhamento de risco em oncologia
O custo do tratamento oncológico cresce em ritmo acelerado em todo o mundo. Nos últimos cinco anos, os gastos com medicamentos para câncer aumentaram 75% globalmente, somando cerca de US$ 252 bilhões – e a projeção do IQVIA Institute é que esse valor chegue a US$ 441 bilhões até 2029. Diante desse cenário, o A.C.Camargo Cancer Center tem investido na construção de novos modelos de remuneração junto a operadoras de saúde e à indústria farmacêutica, buscando formas de conciliar o acesso a terapias cada vez mais avançadas com a sustentabilidade do sistema.
Bundle: o ciclo completo de cuidado
Um desses caminhos acaba de ganhar respaldo científico. O artigo “Real-World Cost of a Bundle Payment Strategy for Thyroid Oncological 90 Days Treatment: A Time-Driven Activity-Based Cost Analysis“, com participação de pesquisadores do A.C.Camargo, foi publicado essa semana na revista Value in Health Regional Issues e consolida a avaliação de um acordo de bundle firmado entre o A.C.Camargo e a Seguros Unimed para cirurgias de tireoidectomia. Usando a metodologia de custeio baseado em atividades e tempo (TDABC), o estudo mediu o custo real de entregar esse serviço dentro de um ciclo de 90 dias, chegando ao valor de R$ 19.482. É uma informação rara: o único estudo anterior com metodologia comparável foi conduzido nos Estados Unidos, e alcançou um parâmetro próximo, de 19 mil dólares, o que evidencia que a oncologia pode ser entregue com qualidade equivalente e menor custo fora do contexto norte-americano.

Mais do que agrupar procedimentos a um preço fechado, o modelo de bundle organiza o cuidado a partir de um ciclo completo de tratamento, com a instituição assumindo responsabilidade pela jornada do paciente e acompanhando os desfechos de perto. “O bundle obriga a todos a olhar para o ciclo inteiro de cuidado, não apenas para o procedimento ou tecnologia isolados. Isso muda a forma como medimos custo e como organizamos a entrega do serviço”, explica Ana Paula Beck da Silva Etges, uma das pesquisadoras do A.C.Camargo responsáveis pelo estudo.
O trabalho foi construído por uma equipe que reúne lideranças médica, executiva, de pesquisa e de economia da saúde do A.C.Camargo, reforçando um compromisso da instituição: gerar e tornar pública a evidência científica que pode ajudar a melhorar a forma como os serviços de saúde são contratados e estruturados no Brasil, com foco nas necessidades reais de cada paciente.
Risk Sharing: parceria com a indústria farmacêutica
Essa frente se soma a outra que o A.C.Camargo já consolidou ao longo dos últimos quatro anos: o compartilhamento de risco com farmacêuticas, modelo no qual a indústria reembolsa parte dos medicamentos quando o tratamento não atinge os resultados clínicos esperados. A trajetória começou em 2022, com o primeiro acordo do tipo na saúde suplementar brasileira, firmado com a Roche para o Atezolizumab no câncer de pulmão de pequenas células. Desde então, a lista de parcerias cresceu: novos contratos com a farmacêutica passaram a cobrir o hepatocarcinoma e o linfoma difuso de grandes células; em 2025, a Pfizer aderiu ao modelo para o tratamento de mieloma múltiplo; e, mais recentemente, a Adium firmou acordo para o imunoterápico usado no câncer de pulmão de não pequenas células.
“A incidência por câncer vem aumentando e os custos dos medicamentos, com terapias cada vez mais avançadas, também crescem em significativa ordem de grandeza. Adotar iniciativas de compartilhamento de risco e inovar em ações que olham para o custo-efetividade de toda a assistência é o caminho para a sustentabilidade do nosso sistema como um todo”, conclui Aline Chibana, gerente do Escritório de Valor do A.C.Camargo Cancer Center.

