Subfinanciamento e gestão frágil são principais riscos para a saúde

Uma pesquisa realizada pela FIA em parceria com a ABIMED mostra que o subfinanciamento do sistema de saúde e as falhas de gestão e governança são vistos como os maiores riscos para a sustentabilidade da saúde brasileira nos próximos 25 anos. Entre os 135 respondentes ouvidos em maio deste ano, 55% apontaram o subfinanciamento como principal vulnerabilidade, enquanto 49% destacaram a fragilidade de gestão e governança.

O levantamento foi realizado a partir do diagnóstico realizado por meio do Observatório Permanente da Saúde, servindo para aprofundar e validar as conclusões e percepções de especialistas. A pesquisa consolidou três consultas e reuniu a visão de profissionais e gestores do setor sobre desafios estruturais, inovação, transformação digital e prioridades de política pública. Na sequência das vulnerabilidades mais citadas, aparecem as desigualdades regionais, com 40% das menções, e o envelhecimento populacional, apontado por 36% dos participantes.

“Os resultados da pesquisa reforçam que os desafios da saúde no Brasil são estruturais e exigem uma agenda de longo prazo. Mais do que apontar vulnerabilidades, o levantamento mostra a urgência de fortalecer a gestão, garantir financiamento sustentável e acelerar a transformação digital como pilares para um sistema mais eficiente, integrado e resiliente até 2050”, afirma Fernando Silveira, presidente-executivo da ABIMED.

Os dados também mostram que a melhoria da gestão e da eficiência é a principal prioridade para a política pública de saúde, mencionada por 89% dos respondentes. Na avaliação da qualidade do atendimento, no SUS pesam mais recursos e infraestrutura, com 74%, e gestão, com 70%; já nos planos de saúde, os maiores desafios apontados foram custos, com 67%, e negativas de cobertura, com 66%.

Outro destaque do levantamento é a centralidade da transformação digital na agenda do setor. Nas respostas abertas, o tema apareceu como o mais recorrente, com 51% das menções, seguido por gestão e governança, com 45%, e atenção primária e prevenção, com 30%. A leitura consolidada da pesquisa indica que o futuro da saúde dependerá de uma combinação entre financiamento sustentável, governança mais eficiente, redução das desigualdades e adoção estratégica de tecnologia.

Entre os diferentes públicos ouvidos, os associados da associação atribuem ainda mais peso ao subfinanciamento, citado por 77%, enquanto a base mais ampla destaca desigualdades regionais e dependência externa como fatores relevantes. O material também aponta convergência em torno de temas como interoperabilidade, dados, inteligência artificial e fortalecimento da atenção primária como vetores de transformação do sistema.

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