Falta de preparo de médicos causa problemas a mulheres na menopausa

A menopausa é uma fase marcante do envelhecimento feminino. Ela marca o fim da fase reprodutiva feminina, definida pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos e é determinada de forma retroativa, representando o término permanente da menstruação.

Esse período do envelhecimento é natural e complexo às mulheres, causando diversos efeitos na saúde e na rotina. Entretanto, constantemente a menopausa é demonizada pela sociedade, em meio ao idadismo, escondendo sua real dimensão e necessidade de discussão.

Envelhecimento populacional

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2030, cerca de 1,2 bilhão de mulheres no mundo estarão na pós-menopausa. Milhões de mulheres no Brasil estão lidando com mudanças hormonais, riscos cardiovasculares aumentados, osteoporose e desafios emocionais. Ao mesmo tempo, a expectativa de vida da população tem aumentado cada vez mais, o que indica o envelhecimento populacional.

Egídio Dorea, médico e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, comenta que essas estatísticas indicam que a menopausa exige atenção médica. “Não é um evento isolado. Quando falamos de menopausa, a primeira coisa que vem à mente são as famosas ondas de calor. Mas a menopausa é muito mais do que isso.”

Impactos da menopausa

A queda de estrogênio acelera a perda de densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas. De acordo com o Ministério da Saúde, uma em cada três mulheres acima de 50 anos terá uma fratura por fragilidade óssea no País. Além dessas alterações, a menopausa provoca consequências ao sistema cardiovascular, urogenital e alterações metabólicas.

Outro impacto de destaque é a saúde cognitiva. “Muitas mulheres na menopausa relatam dificuldade de concentração, lapsos de memória e até uma sensação de que o cérebro ‘não funciona como antes’. A queda de estrogênio afeta áreas do cérebro ligadas à memória e ao processamento cognitivo”, afirma o médico. Ele complementa que é necessário diferenciar sintomas transitórios, comuns na perimenopausa, de condições como demência, que requerem avaliação.

Além dessas alterações, a menopausa é responsável por mudar significativamente as emoções das mulheres, causando irritabilidade, ansiedade ou até depressão. Esses sintomas são confundidos com ‘crise de meia-idade’, mas têm uma base hormonal.

Falta de preparo

Em meio ao envelhecimento populacional acelerado, muitos profissionais de saúde estão despreparados para lidar com questões como a menopausa, segundo Dorea. “Apesar de afetar metade da população em algum momento, a menopausa ainda é pouco abordada na formação médica. Muitas mulheres chegam ao consultório com queixas claras, mas ouvem frases como ‘é só a idade’ ou ‘isso passa’. Isso é inaceitável.”

A falta de treinamento durante a formação, o tabu cultural a respeito desse momento e a falta de abordagem multidisciplinar, com a união de ginecologistas, cardiologistas, psicólogos e outros profissionais da área da saúde, são algumas das causas deste problema. A questão, entretanto, não se restringe ao Brasil.

Terapias para a menopausa

Diversas medidas têm sido adotadas ao redor do mundo para lidar melhor com o envelhecimento feminino e, consequentemente, a menopausa. No Reino Unido, por exemplo, campanhas públicas e diretrizes do NHS estão incentivando a educação sobre menopausa, de acordo com o médico. “Ainda há atraso, mas iniciativas no Brasil, como eventos da Sociedade Brasileira de Climatério, estão começando a mudar o cenário”, diz.

Existem diversas opções terapêuticas para as mulheres lidarem com a menopausa, que variam de acordo com as especificidades e momento de vida de cada uma. A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores e atrofia urogenital. Entretanto, deve ser individualizada, considerando riscos, como trombose e câncer de mama, e benefícios.

Além dessas vias, existem métodos terapêuticos não hormonais que podem auxiliar nesse momento. Antidepressivos (ISRS) para sintomas vasomotores e emocionais, gabapentina para suores noturnos e lubrificantes e hidratantes vaginais para saúde urogenital são alguns exemplos de métodos terapêuticos não hormonais. “Medidas relacionadas ao estilo de vida das mulheres, como prática de exercícios físicos, dieta rica em cálcio, vitamina D e ômega-3 e técnicas de relaxamento, como yoga, meditação, para ansiedade e sono, podem ser grandes aliados”, completa Dorea.

(Com informações do Jornal da USP)

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