Excelência em saúde começa pela segurança do paciente
Por Bianca Miranda
Falar sobre qualidade em saúde sem colocar a segurança e o cuidado do paciente no centro da discussão já não é mais aceitável. Em um sistema complexo e cada vez mais pressionado, especialmente na rede pública, a cultura de segurança define se uma instituição será capaz de entregar um cuidado confiável, mensurável e efetivo.
Não se trata apenas de protocolos, rotinas ou normas. Trata-se de cultura organizacional. Hospitais mais seguros são aqueles onde há confiança, comunicação aberta e responsabilidade compartilhada entre as equipes. Onde a falha não é escondida, mas analisada, entendida e transformada em melhoria. Onde a prevenção vale mais do que a correção.
É preciso reconhecer que incidentes podem ocorrer em qualquer sistema complexo, principalmente quando envolvem decisões sob pressão. O que diferencia a excelência das instituições é a capacidade de antecipar riscos e criar barreiras para evitar que erros e omissões causem danos ao paciente. Uma checagem não realizada ou uma etapa de cuidado negligenciada podem ser tão graves quanto uma conduta equivocada.
Nesse contexto, protocolos bem estruturados deixam de ser burocracia e passam a ser instrumentos essenciais de proteção aos profissionais, à instituição e, principalmente, aos pacientes. Quando aliados a um ambiente que estimula a identificação de incidentes sem punição desmedida, tornam-se ferramentas poderosas de aprendizado e melhoria contínua.
A tecnologia também tem papel decisivo. No Hospital Geral do Grajaú, por exemplo, a informatização dos processos, reconhecida pela certificação internacional HIMSS 6, contribuiu de forma significativa para a redução de erros na cadeia medicamentosa. Em outras unidades, iniciativas como protocolos clínicos, reuniões rápidas entre equipes multiprofissionais e avaliação de risco de deterioração clínica tornam o cuidado mais organizado e seguro.
O fortalecimento da segurança do paciente também passa pela qualificação dos processos. No Hospital Regional de Registro (HRR), a ampliação de documentos institucionais e a atuação mais efetiva das comissões internas aprimoraram a padronização e a cultura de qualidade, contribuindo para certificação ONA nível 1. Já no Hospital Regional de Jundiaí, o acompanhamento contínuo de pacientes após procedimentos cardíacos permite avaliar desfechos e promover um cuidado mais centrado. Ainda, no Hospital Infantil Menino Jesus, as linhas de cuidado especializadas garantem aos pacientes e familiares o apoio necessário ao enfrentamento de condições de saúde de alta complexidade.
Consolidar uma cultura de segurança exige compromisso institucional, liderança ativa no engajamento das equipes e investimento em melhores processos e tecnologias. Protocolos não devem ser apenas documentos, mas sim ferramentas vivas e ativas que padronizam e orientam práticas, reduzem riscos e salvam vidas. Garantir a segurança do paciente é, acima de tudo, um compromisso ético com a qualidade do cuidado.
*Bianca Miranda é Diretora médica e assistencial do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês.

