Vacina contra a influenza pode reduzir em até 20% o risco de morte e de internações após AVC

Um estudo conduzido pelo Einstein Hospital Israelita apontou que tomar uma dose dupla da vacina contra a influenza ainda durante a internação hospitalar pode reduzir em até 20% o risco de morte e hospitalizações por complicações cardiovasculares ou cardiorrespiratórias em pessoas que já tiveram um Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame cerebral.

A iniciativa faz parte dos chamados mega trials, estudos que envolvem um número expressivo de enfermos com doenças crônicas de alta prevalência e importância para a saúde pública, como hipertensão e diabetes, e buscam os melhores protocolos de tratamento e prevenção de complicações relacionadas às doenças. E foi realizada no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde, e feita em parceria com 30 centros de pesquisa espalhados pelo Brasil.

O estudo VIP-ACS, que teve os resultados publicados em artigo científico no International Journal of Stroke, da Organização Mundial do AVC, analisou 1.801 indivíduos internados, nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste, em decorrência da síndrome coronariana aguda (quando há redução do fluxo sanguíneo para o coração, podendo resultar em um ataque cardíaco). Entre eles, 67 tinham histórico de AVC. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu duas aplicações da vacina contra a gripe ainda no hospital e o outro recebeu a dose padrão cerca de 30 dias depois. Todos foram acompanhados por 12 meses após a vacinação.

Naqueles que não têm histórico de AVC, não houve diferença significativa entre as duas estratégias. Já entre aqueles que passaram por um episódio anterior de AVC, os resultados chamaram a atenção. “Com a vacinação contra a influenza em dose dobrada, os indivíduos envolvidos na pesquisa apresentaram 20% menos eventos cardiovasculares, sugerindo um potencial benefício a população de alto risco cardiovascular. Um paciente hospitalizado por infarto do miocárdio, mas com histórico de AVC, tem 40% de chances de ter outro evento cardiovascular ou respiratório”, conta Henrique Fonseca, líder do Núcleo de Estudos Clínicos em Imunologia e Vacinas da Academic Research Organization (ARO), do Einstein, e autor sênior da publicação.

Crédito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodução sem autorização)
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Segundo a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), essa é a segunda doença que mais mata os brasileiros e a principal causa de incapacidade no mundo. Aproximadamente 70% das pessoas não retornam ao trabalho após um AVC devido às suas sequelas, e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia. A condição pode ocorrer em qualquer idade, com aumento de incidência, nos últimos anos, em jovens (essa frase ficou sem sentido). Apesar disso, é mais frequente em idosos e pessoas com problemas cardiovasculares.

A gripe habitualmente causa um processo inflamatório, que estimula a formação de coágulos, aumentando assim o risco de eventos cardiovasculares, especialmente em quem já teve doenças do coração ou derrame cerebral. O estudo reforça o papel da vacinação como ferramenta de prevenção cardiovascular e respiratória especialmente em pessoas com doenças pré-existentes.

“Os resultados do estudo VIP-ACS demonstram que a vacinação ainda durante a internação após o infarto é uma estratégia segura e factível, com potencial de ampliar de forma significativa a proteção de pacientes de alto risco. Ao incorporar essa prática ao cuidado hospitalar padrão, avançamos não apenas na assistência individual, mas também em uma agenda estratégica de saúde pública, com potencial para aumentar a cobertura vacinal em populações vulneráveis e reduzir novas internações, complicações e custos associados à doença cardiovascular.” destaca Luiz Vicente Rizzo, diretor executivo de Pesquisa do Einstein, também autor do estudo.

A Academic Research Organization (ARO) é uma frente de atuação do Einstein dedicada a conduzir projetos clínicos multicêntricos de alto impacto e a oferecer serviços completos de pesquisa clínica, gerenciando todas as etapas dos estudos e integrando conhecimento científico e excelência operacional. O centro foi responsável pela coordenação do projeto, desde a condução regulatória, passando pela operação do ensaio clínico e até a análise estatística. Do total de pessoas contempladas no estudo, 90% são usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo

O estudo VIP-ACS, executado ente os anos de 2019 a 2022, avaliou 1.801 pessoas e, em sua primeira análise, buscou responder duas perguntas: se é seguro vacinar os que tiveram infarto dentro da fase hospitalar e se dobrar a dose da vacina contra a influenza poderia reduzir eventos cardiovasculares.

Os principais achados mostraram que é seguro realizar a vacinação em fase hospitalar, podendo auxiliar no aumento da cobertura vacinal de indivíduos de alto risco, mesmo que dobrar a vacina não reduza eventos cardiovasculares.

Já a análise mais recente do estudo, realizada no período de 2025, revelou um possível benefício da dose dobrada a todos com histórico de AVC.

“Os resultados sugestivos dessas análises do estudo VIP-ACS, focado nos indivíduos com AVC, serão aproveitados em estudos maiores, que poderão confirmar estes achados iniciais”, reitera Henrique Fonseca.

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