Setor de dispositivos médicos pede política pública integrada
Do exame de sangue ao implante de uma válvula cardíaca, praticamente todo atendimento em saúde depende de dispositivos médicos. Eles incluem desde seringas, luvas e cateteres até tomógrafos, reagentes de diagnóstico, implantes ortopédicos, equipamentos de UTI e sistemas de monitoramento. Sem esses produtos, não há diagnóstico preciso, cirurgia segura nem acompanhamento adequado de pacientes.
Para a ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, o setor deve ser tratado como componente estruturante do sistema de saúde, tanto no SUS (Sistema Único de Saúde) quanto na Saúde Suplementar.
“O dispositivo médico é o que viabiliza o diagnóstico e o tratamento. Sem tecnologia adequada, o sistema perde eficiência, aumenta custos e compromete a qualidade assistencial”, afirma Larissa Gomes, gerente de projetos e marketing da ABIMO.

A ampliação da demanda por exames, cirurgias e monitoramento exige atualização constante do parque tecnológico hospitalar e maior previsibilidade no acesso a insumos. A disponibilidade dessas tecnologias impacta diretamente o tempo de atendimento, a resolutividade dos casos e o custo do cuidado.
Além da dimensão assistencial, o setor revela um desafio econômico relevante. Em 2025, o Brasil importou US$ 11,19 bilhões em dispositivos médicos, frente a US$ 1,15 bilhão em exportações, gerando déficit superior a US$ 10 bilhões. O dado evidencia a dependência externa em um segmento essencial para o funcionamento do sistema de saúde.
Discutir sustentabilidade da saúde passa também por discutir capacidade produtiva nacional, inovação e planejamento de longo prazo.
“Integrar política de saúde e política industrial é uma decisão estratégica. O acesso à tecnologia impacta diretamente a qualidade do atendimento e a eficiência do gasto público”, diz Larissa.
A entidade defende estímulo à inovação, ambiente regulatório previsível e compras públicas que considerem o desenvolvimento produtivo nacional como parte da estratégia para fortalecer o sistema de saúde brasileiro.

