Mercado de dispositivos médicos deve crescer 7% ao ano até 2030
Impulsionado pelo envelhecimento acelerado da população e pelo aumento da demanda por serviços de saúde, o mercado brasileiro de dispositivos médicos deve crescer em média 7% ao ano nos próximos cinco anos. É o que aponta uma projeção com base em uma análise do consenso de mercado realizada pela Redirection International, assessoria especializada em fusões e aquisições (M&A), que mapeou os principais indicadores do segmento.
Segundo o levantamento, o setor movimenta aproximadamente R$ 75 bilhões, sendo que cerca de um terço dos produtos vem da produção nacional e o restante via importação, o que coloca o Brasil como um dos 10 maiores mercados do mundo. “Trata-se de um setor que apresenta uma trajetória estrutural de crescimento moderado, sustentado principalmente pelo envelhecimento da população e maior prevalência de doenças crônicas, o que aumenta a demanda por atendimento hospitalar e home care, exigindo mais investimentos tanto do poder público quanto da iniciativa privada”, explica Adam Patterson, economista e sócio da Redirection International.

Neste cenário, a busca por eficiência operacional, qualidade assistencial e redução de custos impulsiona a adoção de novas tecnologias e soluções minimamente invasivas, fomentando também as atividades de fusões e aquisições. Adam Patterson lembra que o mercado brasileiro de dispositivos médicos é composto por uma ampla base de distribuidores, fabricantes locais e multinacionais e que a combinação entre a produção local, certificações regulatórias nacionais e a presença internacional tem ampliado a competitividade das empresas brasileiras. “O Brasil se consolida como um dos mercados mais resilientes e é estrategicamente relevante para M&A em dispositivos médicos. Combina escala, sofisticação regulatória e uma base industrial cada vez mais competitiva, o que o torna particularmente atrativo para transações cross-border”, explica.
Em 2025, o setor registrou cerca de 450 transações de fusões e aquisições em todo o mundo, segundo informações do banco de investimentos americano PMCF. Somente na área de tecnologia médica foram transacionados cerca de US$ 80 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, de acordo com a Bain & Company. “A expansão geográfica é uma tese recorrente, com players globais utilizando aquisições no Brasil como porta de entrada para a América Latina, aproveitando a base industrial, certificações junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e redes privadas de saúde”, destaca Patterson.
A atividade de M&A no setor é marcada por estratégias de consolidação em mercados ainda fragmentados, especialmente em nichos como ventilação, UTI, transporte médico e home care, com aquisições focadas em ganho de escala e fortalecimento de pricing. Em nível global, o ambiente de M&A segue seletivo, com capital direcionado prioritariamente a ativos de alta qualidade, líderes de nichos e empresas que apresentem possibilidade de crescimento e escalabilidade. No Brasil, mesmo em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, a expectativa do mercado de dispositivos médicos é otimista, com projeção de aumento de produção em 2026 para 70% das empresas do setor.
“Em 2026, vemos um ciclo claro de M&A orientado à otimização de portfólio, com aquisições seletivas em áreas de alto crescimento como cardiovascular, neurovascular, oncologia e tecnologias digitais, incluindo IA, software médico e soluções voltadas ao cuidado ambulatorial e remoto. Estratégias de verticalização se intensificam, integrando equipamentos, consumíveis, manutenção e serviços de pós-venda, elevando o lifetime value do cliente e a previsibilidade de caixa. Ao mesmo tempo, grandes players globais avançam em desinvestimentos de ativos não estratégicos, realocando capital para plataformas com maior retorno e relevância clínica”, avalia Adam Patterson. “Desta forma, o Brasil deixa de ser apenas um mercado de expansão e passa a ocupar um papel central na estratégia global de crescimento, inovação e resiliência de longo prazo do setor”, complementa.

