Dados do INCA e a urgência para eliminar o câncer do colo do útero

Por Ana Maria Drummond

O Brasil ainda convive com um paradoxo inaceitável. O câncer do colo do útero é uma das neoplasias mais preveníveis e passíveis de eliminação, mas segue como uma das principais causas de adoecimento e morte entre mulheres no país. As novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026 a 2028 são claras: serão cerca de 19,3 mil novos casos por ano, um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao triênio anterior.

O dado se insere em um cenário ainda mais amplo e preocupante. Para o mesmo período, o INCA projeta cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, um aumento em torno de 10% em comparação com o triênio 2023–2025. Ou seja, o câncer avança como um todo, mas, no caso do colo do útero, esse crescimento é ainda maior.

Estes números não estão distribuídos de forma homogênea. O câncer do colo do útero é o segundo mais incidente entre as mulheres nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste ocupa a quinta posição. Em estados do Norte e do Nordeste, as taxas chegam a ser quase o dobro daquelas observadas em estados do Sudeste. Esse mapa revela algo fundamental e que merece atenção especial: o risco de adoecer por um câncer altamente prevenível ainda depende do lugar onde a mulher vive.

Outro dado igualmente preocupante é o número de mortes pela doença. São mais de 7,2 mil vidas perdidas a cada ano. Novamente, as taxas de óbito mais elevadas estão nas regiões onde há maior vulnerabilidade social e econômica.
Porém, a informação mais importante e que precisa ser amplamente reforçada é que o câncer do colo do útero pode ser evitado. A vacinação contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo SUS para meninos e meninas entre 9 e 14 anos, com um chamado especial para adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a imunização, é altamente eficaz na prevenção da infecção pelos principais tipos virais responsáveis pela doença. Além disso, o rastreamento regular permite identificar lesões precursoras e tratá-las antes que evoluam para câncer. Quando diagnosticado precocemente, o câncer do colo do útero tem altas chances de cura.

Nesse esforço, a atuação da Aliança Nacional de Eliminação do Câncer do Colo do Útero é estratégica. A iniciativa, idealizada pelo Instituto Vencer o Câncer e pelo Grupo Mulheres do Brasil, reúne instituições, especialistas, organizações da sociedade civil e gestores públicos em torno de um objetivo comum: eliminar esse câncer como problema de saúde pública no Brasil. Seu papel é articular ações, sensibilizar a população, apoiar políticas baseadas em evidências e fortalecer a agenda de vacinação, rastreamento e cuidado integral.

É preciso fazer um chamado à ação para fortalecer políticas públicas, mobilizar a sociedade e enfrentar desigualdades históricas no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

Eliminar o câncer do colo do útero não é apenas uma meta sanitária, é um compromisso social. Significa garantir que meninas e meninos tenham acesso à vacina contra o HPV, que mulheres sejam informadas, acolhidas e acompanhadas ao longo da vida, e que o SUS ofereça cuidado oportuno e de qualidade em todas as regiões do país.

Não podemos naturalizar números que representam vidas, histórias e futuros interrompidos por uma doença evitável. A eliminação do câncer do colo do útero é possível e depende das escolhas que fazemos hoje, como sociedade, para proteger as mulheres de amanhã.


*Ana Maria Drummond é diretora Institucional do Instituto Vencer o Câncer.

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