Transformação digital na Saúde: desafios e estratégias para 2026
Por Alex Osoegawa
Ao longo de 2025, a indústria da saúde avançou de forma consistente no uso de soluções digitais, que deixaram de ser iniciativas isoladas para assumir um papel mais estrutural nos processos assistenciais e administrativos. Tecnologias voltadas à jornada do paciente, como aplicativos próprios, canais digitais de atendimento e automação de fluxos passaram a ser amplamente adotadas, contribuindo para experiências mais ágeis e acessíveis.
Esse movimento foi acompanhado por um uso mais sofisticado de dados, que passaram a sustentar decisões estratégicas e operacionais, especialmente em contextos de controle de custos e otimização da gestão assistencial. A Inteligência Artificial também ganhou espaço em atividades clínicas e administrativas, apoiando o registro de informações, a automação de estoques e a melhoria da eficiência interna.
Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico evidenciou desafios estruturais importantes. A limitação de interoperabilidade entre sistemas, o aumento dos riscos cibernéticos e a dificuldade em encontrar profissionais qualificados para operar novas soluções tornaram-se pontos críticos. Em 2025, ficou claro que a evolução digital exigia não apenas investimento em tecnologia, mas também mudanças organizacionais, fortalecimento da governança e desenvolvimento de novas competências.
Tendências para 2026 incluem interoperabilidade e modelos assistenciais híbridos
1. Inteligência artificial como motor de eficiência
As perspectivas para 2026 indicam um aprofundamento desse processo de transformação, com a Inteligência Artificial se consolidando como um dos principais motores de eficiência no setor de saúde. A tecnologia passa a ser utilizada para automatizar processos mais complexos, reduzir erros humanos e aumentar a agilidade das organizações, apoiando decisões cada vez mais preditivas e orientadas por dados.
2. Interoperabilidade e gestão preditiva como diferenciais
Nesse contexto, a interoperabilidade total entre sistemas tende a se tornar um fator determinante de competitividade. A integração fluida entre clínicas, hospitais, laboratórios e operadoras permite uma visão unificada do paciente, viabilizando modelos assistenciais mais coordenados e eficientes. A partir dessa base integrada, a gestão preditiva ganha força, possibilitando a antecipação da demanda, a previsão de ocupação de leitos e a alocação mais inteligente de recursos e equipes.
3. Evolução para modelos assistenciais híbridos
O modelo assistencial também segue em evolução, com a consolidação de formatos híbridos que combinam atendimento presencial, telemedicina e monitoramento remoto. A expansão de estruturas digitais e semi-digitais amplia o acesso ao cuidado, reduz internações evitáveis e melhora a continuidade assistencial. Tecnologias como dispositivos de monitoramento remoto, prontuários eletrônicos integrados e plataformas interoperáveis viabilizam jornadas mais personalizadas, contínuas e centradas no paciente.
4. Impactos na força de trabalho e nos pilares de governança
Essas transformações impactam diretamente a força de trabalho em saúde. A interação crescente entre profissionais e sistemas inteligentes exige a redefinição de papéis clínicos e administrativos, além do desenvolvimento de competências digitais, analíticas e de tomada de decisão assistida. Paralelamente, temas como privacidade, segurança da informação e conformidade regulatória tornam-se ainda mais relevantes, acompanhando o aumento do volume e da sensibilidade dos dados tratados.
Preparação para esse cenário exige investimento em plataformas modernas, reskilling das equipes e visão estratégica integrada
1. Plataformas interoperáveis e governança como base da preparação digital
Preparar-se para esse novo estágio da saúde digital exige uma abordagem integrada, que vá além da adoção pontual de tecnologias. É fundamental investir em plataformas modernas e interoperáveis, capazes de sustentar o uso avançado de dados e Inteligência Artificial, ao mesmo tempo em que se fortalece a governança da informação e a segurança cibernética.
2. Reskilling e capacitação como pilares da transformação
Outro pilar central é o desenvolvimento da força de trabalho. A capacitação contínua e o reskilling das equipes tornam-se essenciais para que profissionais consigam atuar de forma eficaz em ambientes cada vez mais automatizados e orientados por dados. Isso envolve não apenas habilidades técnicas, mas também a adaptação de processos, fluxos de trabalho e modelos de atuação assistencial.
3. Alinhamento estratégico e visão de longo prazo para capturar valor
Por fim, as organizações precisam alinhar estratégia, tecnologia, pessoas e compliance em uma visão de longo prazo. Estruturas claras de governança, colaboração entre áreas, testes controlados e escalabilidade progressiva das soluções digitais são fatores decisivos para capturar valor real das transformações em curso. Mais do que acompanhar tendências, preparar-se para 2026 significa construir bases sólidas para um cuidado mais eficiente, sustentável e verdadeiramente centrado no paciente.
*Alex Osoegawa é diretor da Peers Consulting + Technology.

