AMB se manifesta contra a prescrição de antibióticos por enfermeiros
A Associação Médica Brasileira (AMB) manifestou contrariedade à liberação da prescrição de antibióticos por profissionais sem formação médica e declara apoio ao posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). A prescrição de antimicrobianos envolve diagnóstico clínico, avaliação de riscos, definição de dose, via e duração do tratamento — competências que exigem formação médica aprofundada.
De acordo com a entidade, a ampliação indevida da prescrição representa grave ameaça à segurança do paciente e um retrocesso no combate à resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios de saúde pública no mundo. “Flexibilizar atos prescritivos como esse não resolve problemas estruturais do sistema de saúde e expõe a população a riscos evitáveis”, ressalta nota publicada.
O documenta destaca que aos enfermeiros cabe a disponibilização de medicamentos em programas públicos e rotinas institucionais após diagnóstico médico, conforme protocolos já estabelecidos.

A associação reitera que a ampliação de atribuições clínicas não pode ser tratada como solução simplista para problemas estruturais do sistema de saúde. “A falta de médicos em determinadas regiões, a sobrecarga da atenção básica e a fragilidade do financiamento do SUS não se resolvem com a flexibilização desatinada de atos médicos, mas com políticas públicas consistentes de provimento de médicos, infraestrutura adequada e valorização profissional”.
A associação conclui afirmando que seguirá atuando junto às autoridades para garantir que a prescrição de antibióticos permaneça sob responsabilidade médica, em defesa da ciência e da segurança da população.

