Tarifaço dos EUA redesenha exportações brasileiras de dispositivos médicos, que somam US$ 1,05 bilhão
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos em 2025 redesenhou a estratégia internacional da indústria brasileira de dispositivos médicos. Principal destino das exportações do setor, o mercado norte-americano impactou o desempenho global no ano, mas também acelerou um movimento de diversificação que permitiu ampliar a presença brasileira em novos mercados e evitar uma retração mais intensa nas vendas externas.
O setor — que engloba produtos médico-hospitalares, de odontologia, laboratório clínico e reabilitação — encerrou o período entre janeiro e dezembro com exportações de US$ 1,15 bilhão, queda de 2,83% em relação ao mesmo intervalo de 2024. O resultado reflete, sobretudo, as barreiras comerciais impostas pelos EUA, mas também evidencia a capacidade de adaptação da indústria diante de um cenário externo mais restritivo.
Apesar do impacto, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras de dispositivos médicos, somando US$ 289,68 milhões no período, crescimento de 4,61% em relação ao ano anterior. O desempenho positivo foi sustentado principalmente pelos embarques realizados entre janeiro e julho, antes da entrada em vigor das tarifas adicionais.

A resposta do setor às restrições comerciais foi a intensificação da diversificação de destinos ao longo de 2025. No acumulado até novembro, cresceram as exportações para o Oriente Médio (+30,29%), América Latina (+10,27%) e Europa (+0,34%). Também se destacaram avanços expressivos em países que vêm ganhando relevância na pauta exportadora brasileira, como Reino Unido (+ 61,19%), Colômbia (+39,46%), México (+18,69%), Alemanha (+ 28,93%), China (+ 29,75%) e Turquia (+52,03%).
“2025 foi um ano que testou a resiliência da nossa indústria. Mesmo diante de barreiras externas relevantes, conseguimos ampliar a presença do Brasil em mercados estratégicos e reduzir a dependência de poucos destinos. Esse movimento de diversificação é fundamental para fortalecer a competitividade do setor no longo prazo”, afirma Larissa Gomes, Gerente de Projetos e Marketing da ABIMO.
Segundo Larissa, o avanço em mercados alternativos consolida uma tendência iniciada nos últimos anos e reforça a capacidade da indústria nacional de disputar espaço na cadeia global da saúde. A ampliação da presença brasileira em diferentes regiões também contribui para reduzir vulnerabilidades diante de oscilações tarifárias, políticas e geopolíticas.
Para 2026, a avaliação é de que o setor seguirá operando em um ambiente desafiador, marcado pela implementação da Reforma Tributária, por ajustes regulatórios e por um cenário político relevante, com eleições nacionais e internacionais capazes de influenciar políticas industriais e acordos comerciais. Diante desse contexto, a atenção à diplomacia econômica e às condições de competitividade permanece no centro da agenda.
“Entramos em 2026 com uma agenda clara: consolidar os mercados conquistados, aprofundar relações internacionais e ampliar a previsibilidade para as empresas. Esperamos avanços no diálogo comercial com os Estados Unidos e a abertura de novas frentes de negociação. Há espaço para um ambiente mais favorável às exportações brasileiras, e trabalharemos para isso”, conclui Larissa.

