Chief AI Officer é a nova liderança estratégica da saúde digital

Por Emir Vilalba Moreira

A inteligência artificial já faz parte da rotina da saúde. Relatórios de mercado apontam que o setor global de IA em saúde pode atingir cerca de US$ 45,2 bilhões até 2026, com crescimento anual expressivo, e que aproximadamente 49% dos hospitais já integraram IA em seus fluxos clínicos. E não é à toa, afinal, a tecnologia apoia diagnósticos, automatiza processos administrativos, acelera pesquisas e melhora a experiência do paciente.

Mas, ainda assim, muitas organizações continuam tratando a IA como um projeto de TI, quando, na prática, ela se tornou um tema estratégico, com impacto direto em decisões clínicas, compliance, segurança de dados e reputação institucional. Esse descompasso explica por que cresce a discussão sobre a criação do Chief AI Officer (CAIO), um executivo dedicado a garantir que a adoção de IA gere valor real, e não apenas experimentos desconectados.

Na saúde, a IA não é um fim em si mesma. Ela só faz sentido quando está alinhada às prioridades do negócio e aos desfechos assistenciais. O foco deve ser sempre o paciente. Qualquer ação que for realizada que não tiver um impacto positivo na vida do paciente, deve ser repensada. Automatizar tarefas repetitivas, por exemplo, pode reduzir custos e liberar profissionais para atividades mais críticas. Modelos preditivos permitem antecipar eventos clínicos graves, mudando a lógica do cuidado de reativa para preventiva. Mas esses ganhos só se sustentam quando há coordenação, visão de longo prazo e governança.

O avanço recente da chamada IA agentiva reforça essa necessidade. Sistemas capazes de agir de forma autônoma já assumem tarefas administrativas, aceleram faturamento e otimizam cadeias de suprimentos. Sem uma liderança clara, porém, essas soluções podem gerar riscos operacionais, decisões opacas e até conflitos regulatórios.

No apoio à decisão clínica, o cenário é semelhante. Algoritmos analisam exames, organizam prontuários e sugerem hipóteses diagnósticas com velocidade crescente. Eles funcionam como copilotos, não substitutos, mas exigem integração cuidadosa aos fluxos médicos e validação constante. O erro não está em usar IA, mas em usá-la sem responsabilidade.

É nesse ponto que o CAIO se diferencia. Seu papel não é “evangelizar” tecnologia, mas traduzir a IA em resultados mensuráveis, conectando dados, processos, pessoas e estratégia. Ele garante que cada iniciativa tenha um propósito claro, seja eficiência operacional, melhoria clínica ou inovação em serviços digitais, e que o uso da IA aconteça dentro de limites éticos e legais.

Estamos falando de um setor com custos crescentes, poucos profissionais e demandas regulatórias rigorosas. Por isso, quando o assunto é saúde, inovar sem direção compromete não apenas a eficiência do processo, mas a segurança do paciente.


*Emir Vilalba Moreira é Head of Health da Semantix.

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