Amparo Saúde estrutura linhas de cuidado para doenças do clima
A Amparo Saúde, uma empresa do Grupo Sabin, ampliou sua atuação no Norte do Brasil com três novas unidades previstas para entrar em operação entre o fim de 2025 e o início de 2026. Além de oferecer todos os serviços de cuidado e prevenção pela Atenção Primária à Saúde, as clínicas de Belém (PA), Barcarena (PA) e Boa Vista (RR) ganharam um estudo específico para estruturar linhas de cuidado voltadas às doenças exacerbadas pela crise climática, integrando atenção primária presencial e soluções remotas de monitoramento.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a crise climática pode causar diversas doenças decorrentes do aumento da temperatura, eventos extremos e alterações ambientais, incluindo doenças respiratórias, cardiovasculares, renais e infecciosas, como dengue, malária e cólera. A crise também contribui para problemas de saúde mental (ecoansiedade), desnutrição e riscos aumentados de acidentes e ferimentos.
A Amparo Saúde oferece linhas de cuidado contínuo a pacientes vinculados a planos de saúde e a empresas que adotam APS como benefício para colaboradores e para a gestão de saúde de populações. O atendimento é feito de forma presencial e remota.
A unidade de Boa Vista foi inaugurada em dezembro. As unidades de Belém e Barcarena tem previsão de abertura para o primeiro trimestre.

Belém e Barcarena
O clima equatorial úmido da região impõe chuvas diárias de alta intensidade, temperaturas elevadas e presença constante de mosquitos vetores. A população periférica enfrenta exposição frequente a alagamentos e águas contaminadas.
Para o atendimento, observou-se o possível aumento de arboviroses como dengue, Zika e Chikungunya e surtos de leptospirose após períodos de chuva intensa. Doenças de pele e infecções fúngicas proliferam pela umidade e pelo uso prolongado de calçados fechados. O calor úmido contribui para agravamento de condições cardiovasculares e metabólicas devido à perda de eletrólitos e dificuldade de controle pressórico.
“Entre as ações práticas para a região, temos discutido protocolos de alerta rápido para pacientes crônicos durante surtos de arboviroses, orientando a busca precoce de atendimento, por exemplo, e o apoio remoto via Amparo Tech para monitoramento de sintomas e ajuste de condutas em regiões com acesso precário durante chuvas”, explica o coordenador técnico da Amparo, Leonardo Demambre Abreu.
Boa Vista
Roraima apresenta temperaturas médias acima de 34 °C por boa parte do ano, umidade elevada e períodos curtos de chuva intensa. Ondas de calor são frequentes e episódios de fumaça das queimadas no entorno amazônico ocorrem com maior intensidade entre fevereiro e abril.
“O impacto no cuidado inclui possível aumento de queixas respiratórias e oculares, exacerbação de asma e DPOC, além de maior incidência de desidratação e infecções cutâneas leves em crianças e idosos nos meses mais quentes. Arboviroses, como dengue e Chikungunya, continuam presentes e exigem vigilância contínua”, pondera Leonardo.
Protocolos educativos sobre hidratação e ventilação domiciliar e uso racional de ventiladores e ar-condicionado deve estar entre as orientações aos pacientes da futura clínica de APS. Outra medida considerada é o treinamento de equipes para identificação precoce de sinais de descompensação em ondas de calor, incluindo hipotensão, síncope e piora de insuficiência cardíaca. A ampliação do teleatendimento e uso do Amparo Tech é considerada como suporte para continuidade do cuidado quando a mobilidade é comprometida.
O estudo da Amparo Saúde articula a atenção primária tradicional com soluções digitais para fortalecer a continuidade do cuidado. “A expectativa é que a combinação de estruturas físicas, parcerias locais e ferramentas de telemonitoramento aumentem a resiliência dos serviços de saúde frente aos efeitos da crise climática, reduzindo internações evitáveis e melhorando a gestão de surtos e eventos climáticos”, conclui o coordenador da Amparo.

