IA para saúde: quais inovações devem chegar ao Brasil em 2026?
Por Gustavo Caetano
O último ano foi marcado pelo avanço da inteligência artificial nos mais diversos setores, especialmente na saúde. Agora, as expectativas de melhora no bem-estar da população mundial nos próximos anos como resultado do desenvolvimento tecnológico estão altíssimas, e em 2026 devemos ver soluções, que antes eram impensáveis, começar a sair do papel e ganhar vida com o uso de novas tecnologias à medida que hospitais e empresas do ramo passarem da fase de pilotos para a incorporação estrutural. Segundo o relatório Future Health Index 2025, da Philips, 85% dos profissionais de saúde brasileiros estão otimistas com o uso de IA no setor, principalmente para expandir a capacidade de atendimento e reduzir o tempo de espera, enquanto 70% dos pacientes têm uma visão positiva sobre o potencial da tecnologia para melhorar sua saúde.
Porém, essa virada de chave exigirá comprometimento: a OMS publicou orientações focadas em modelos multimodais e governança ética para IA em saúde, destacando que a segurança, equidade e validação clínica devem ser pré-requisitos para qualquer implementação que vise escalar no setor. Esse direcionamento é especialmente relevante para o Brasil, onde desigualdades de acesso e qualidade podem ser amplificadas por modelos treinados em bases não representativas.
O crescente aumento na adoção de inteligência artificial no segmento também evidencia porque esse será um ano importante, mas não podemos ignorar o enorme desafio de transformar pilotos em resultados reais, algo que só se resolve com investimento em dados, mudança de processos e métricas claras de impacto. Em outras palavras, haverá muito mais soluções em operação em 2026, porém a diferença entre piloto e escala dependerá de disciplina operacional.
Na prática, as inovações que devem chegar e ganhar tração no Brasil incluem sistemas de triagem e priorização em urgências baseados em IA para otimizar leitos e reduzir tempo de espera; ferramentas de diagnóstico por imagem com workflows integrados ao prontuário; assistentes generativos que sintetizam históricos clínicos e notas médicas para reduzir carga administrativa, e plataformas analíticas preditivas para gestão populacional e detecção precoce de surtos. Há ainda o risco de que, sem o devido controle, a IA possa perpetuar erros, vieses e comprometer a segurança do paciente, mas também temos visto muitas companhias dispostas a fazer o necessário para evitar ou ao menos amenizar esse cenário, com o investimento em licenciamento, integração, monitoramento e treinamento.
Para o ecossistema brasileiro, teremos três prioridades concretas nesse novo ano: consolidar iniciativas piloto em ambientes clínicos reais; estruturar dados interoperáveis e pipelines de qualidade, respeitando LGPD e princípios de governança, e fomentar parcerias público-privadas que permitam testes em escala no SUS e interoperabilidade entre provedores privados e públicos.
Por fim, acredito que 2026, como um período de implementação e não apenas experimentação, trará um novo momento para a saúde com sistemas de IA capazes de prever riscos clínicos com semanas de antecedência, apoiar o monitoramento remoto de pacientes com doenças crônicas e acelerar a descoberta de novos medicamentos. Todas essas inovações já estão sendo adotados por grandes centros mundiais e tendem a chegar mais fortemente ao Brasil conforme a infraestrutura digital avança. Ou seja, veremos quais organizações conseguirão transformar a inteligência artificial em resultado real para médicos, hospitais e, principalmente, pacientes.
*Gustavo Caetano é CEO e fundador da Sambatech.

