Nova diretriz alimentar dos EUA reforça alerta sobre obesidade e diabetes
Os Estados Unidos anunciaram uma nova diretriz alimentar que pode influenciar políticas de saúde em todo o mundo. A recomendação incentiva a população a diminuir a ingestão de carboidratos, açúcares adicionados, excesso de sódio e aditivos químicos, priorizando o consumo de alimentos naturais e minimamente processados. O objetivo é melhorar a saúde geral e reduzir a incidência de doenças crônicas como obesidade e diabetes tipo 2.
Para a endocrinologista Lorena Lima Amato, a nova orientação surge em um momento crítico para os Estados Unidos, que enfrentam uma das maiores taxas de obesidade e diabetes tipo 2 entre os países desenvolvidos. “O cenário é alarmante: aproximadamente um terço dos adolescentes americanos já apresenta pré-diabetes, e 20% das crianças e adolescentes convivem com a obesidade”, conta.
Para a endocrinologista, a nova diretriz americana é um endosso significativo do que é defendido na prática clínica. “O foco em alimentos naturais e a redução de ultraprocessados, açúcares e aditivos químicos não é apenas uma escolha dietética, mas uma poderosa estratégia de saúde pública. Ela se alinha perfeitamente com a abordagem preventiva necessária para frear o avanço alarmante da obesidade e do diabetes tipo 2 que observamos no Brasil e no mundo”, avalia a médica.

No Brasil, a situação espelha a preocupação internacional. Embora com números ligeiramente menores, a tendência é de crescimento. Um estudo da Fiocruz Brasília projeta um futuro preocupante: até 2044, quase metade dos adultos brasileiros (48%) poderá ser obesa, com outros 27% apresentando sobrepeso. Somados, três quartos da população adulta estariam acima do peso ideal em apenas duas décadas. Atualmente, esse índice já atinge 56% dos adultos.
O diabetes tipo 2 (DM2) também avança de forma expressiva no país. Segundo dados do Atlas do Diabetes de 2025, da International Diabetes Federation (IDF), o Brasil é o 6º país do mundo em número de casos, com quase 17 milhões de pessoas diagnosticadas. Mais de 90% desses casos são de DM2, fortemente associado ao estilo de vida.
A nova diretriz alimentar dos EUA pode servir para conscientizar outros países sobre hábitos saudáveis e para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

