Hospital Erastinho é o primeiro do mundo a receber certificação internacional por gerar mais energia do que consome

O Hospital Oncopediátrico Erastinho acaba de se tornar o primeiro hospital do mundo a receber a certificação LEED Zero, emitida pelo U.S. Green Building Council (USGBC). A auditoria confirma que a unidade gera 100% da energia que consome, atingindo um patamar de desempenho sem precedentes para edificações de saúde — uma das tipologias mais intensivas em demanda energética.

Com o reconhecimento, o Erastinho passa a ser o único hospital no mundo a reunir os selos LEED for Healthcare Gold, WELL Gold e LEED Zero Energy, conjunto de certificações que avalia desempenho operacional, qualidade ambiental interna, bem-estar dos ocupantes e impacto energético.

A operação Zero Energy é viabilizada por uma usina fotovoltaica de 950kWp, integrada ao sistema elétrico do hospital e dimensionada para suprir 100% da demanda anual. “Ao construir a usina de aproximadamente 1 megawatt no local, economizamos cerca de R$ 400 mil por ano, valor que é totalmente reinvestido em assistência, aquisição de equipamentos e melhorias clínicas. Isso mostra que sustentabilidade não é custo, é estratégia de cuidado. É uma engenharia financeira e técnica que gera impacto direto na saúde”, explica Fernando Cesar de Oliveira, Diretor Executivo Administrativo do hospital Erasto Gaertner.

As medições de desempenho realizadas ao longo de 12 meses de operação confirmaram que a geração anual cobre integralmente a demanda energética do hospital, com excedente suficiente para apoiar parcialmente o Hospital Erasto Gaertner, hospital-escola e referência nacional em oncologia.

Para a equipe da Petinelli, empresa de engenharia que fez a consultoria de engenharia e sustentabilidade do projeto – a conquista representa um novo patamar para projetos construtivos no setor de saúde no país. “O Erastinho demonstra que hospitais podem, sim, atingir patamares extremos de eficiência. Zero Energy em saúde é engenharia aplicada ao limite, com impacto direto na qualidade da operação e na sustentabilidade de longo prazo”, comenta Guido Petinelli, CEO da Petinelli.

Em hospitais — que dependem de climatização constante, controle de infecções e iluminação especializada — atingir esse nível é considerado um desafio técnico significativo. “ A certificação Zero exige que a edificação comprove, por medições anuais, um consumo energético reduzido e compatível com padrões de alta eficiência, ao mesmo tempo em que neutraliza integralmente esse uso por meio de geração renovável no próprio local. Alcançar esse nível em um hospital só é possível com uma equipe técnica qualificada, parcerias sólidas e engenharia integrada desde a concepção. O reconhecimento internacional é uma motivação para continuar inovando e elevando o padrão de desempenho das edificações no país”, conclui Petinelli.

O hospital realiza anualmente cerca de 17 mil consultas, 500 cirurgias e 85 mil procedimentos, dos quais 76% atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ambientes certificados p ara qualidade do ar, iluminação e conforto estão associados à redução do estresse, à melhora da adesão ao tratamento e a experiências mais positivas de recuperação. Pesquisas conduzidas pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard demonstraram que fatores como ventilação adequada, qualidade do ar e da água, conforto térmico, controle de ruído, iluminação natural e vistas para o exterior têm impacto direto no bem-estar e na saúde das pessoas.

“O Erastinho foi pensado desde o início co mo um hospital resolutivo, humanizado e sustentável. Diferente de estruturas que crescem de forma modular, ele nasceu com uma visão integrada de engenharia e cuidado. As certificações são consequência natural dessa visão”, reforça o Diretor Executivo Administrativo do Erastinho, Fernando Cesar de Oliveira.

O projeto arquitetônico, desenvolvido pelo escritório Sarnelli Arquitetura, foi pensado de forma integrada à engenharia e à operação hospitalar, permitindo que decisões de layout, orientação, iluminação natural e conforto ambiental contribuíssem diretamente para o desempenho do edifício.

“A série de certificações LEED e WELL obtidas pelo Erastinho traduz um conjunto de soluções técnicas que elevam o hospital a um patamar excepcional de desempenho. O projeto integra climatização eficiente, iluminação natural e artificial de baixo consumo, materiais e sistemas otimizados, automação e gestão contínua de energia”, enumera Guido Petinelli.

Entre os resultados estão:

  • Redução de 25% no consumo de energia em comparação a hospitais do mesmo porte;
  • Suprimento total da demanda anual por geração renovável;
  • Auditorias que confirmam qualidade da água, do ar, conforto térmico, lumínico e acústico.

Na eficiência hídrica, o Erastinho registra 36% de redução no consumo de água potável e durante a construção, 80% dos resíduos foram reciclados ou reutilizados, reforçando a abordagem de baixo impacto ao longo de todo o ciclo do projeto. Além disso, o hospital mantém monitoramento constante para garantir a continuidade dos padrões de desempenho. Todas essas soluções foram incorporadas de forma integrada e sem custo adicional de obra.

Para Felipe Faria, diretor do Green Building Council (GBC) Brasil, este projeto aborda vários temas do movimento internacional de green buildings, como espaços de conforto para maximizar bem-estar e saúde, qualidade interna do ar, conforto térmico, visual e olfativo, além da preocupação com mitigação de impactos. “Nas empresas, um prédio eficiente ajuda a aumentar a produtividade dos colaboradores. Nos hospitais, estes benefícios contribuem com uma rápida recuperação dos pacientes em momentos críticos de nossas vidas”, afirma.

Como destaca o diretor Fernando Cesar de Oliveira, a certificação consolida um aprendizado que vai além do próprio projeto. “O Erastinho está comprovando, na prática, que é possível inovar e entregar atendimento de alta qualidade para a sociedade com eficiência econômica. Já havíamos avançado nesse caminho com o Hospice Erasto Gaertner, primeira unidade de saúde da América Latina a conquistar a certificação WELL Platinum, e agora seguimos aplicando esses conceitos em novos centros de medicina nuclear, buscando ainda mais eficiência, conforto e bem-estar. O Erastinho mostrou que é possível e passou a servir como modelo e inspiração para outros hospitais.”

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