Por que o hospital 100% inteligente deve ser humano

Por Bruno Muszkat

Recentemente foi inaugurado, na China, o primeiro hospital operado cem por cento por robôs, capaz de realizar triagens e diagnósticos com alto índice de precisão. Em outubro de 2025, o jornal Metrópoles destacou que o Brasil, em parceria com o governo chinês, também avança na criação de hospitais inteligentes públicos. O principal projeto é o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), em São Paulo, que contará com 800 leitos, investimento estimado em 320 milhões de dólares e integração com ambulâncias 5G e sistemas de telessaúde. O objetivo é reduzir o tempo médio de atendimento de casos graves de 17 horas para cerca de duas. Essas iniciativas mostram que a transformação digital na saúde já é uma realidade e que o desafio agora é equilibrar tecnologia, eficiência e cuidado humano.

A automação amplia a eficiência, mas exige governança tecnológica capaz de garantir continuidade, segurança e resposta rápida diante de falhas ou ataques, além de demandar investimentos significativos em implantação, integração e manutenção. Um hospital pode operar com robôs e sistemas inteligentes em tempo real, mas só continuará sendo hospital se mantiver a capacidade de enxergar o paciente como pessoa, sem substituir o vínculo e a sensibilidade que sustentam o cuidado.

A tecnologia é ferramenta essencial para aprimorar diagnósticos e prever riscos, mas seu valor depende da atuação dos profissionais especialistas, médicos, enfermeiros, técnicos e equipes multidisciplinares que unem conhecimento, experiência e empatia. São esses profissionais que interpretam dados, compreendem contextos e tomam decisões em situações complexas. Nenhum algoritmo é capaz de reproduzir a escuta, o tato e o discernimento clínico que definem o ato de cuidar.

O avanço digital também impõe um novo papel à regulação. A aplicação de soluções inteligentes na saúde desafia normas tradicionais e requer regras claras de interoperabilidade, segurança da informação e responsabilidade profissional. Regulamentar não significa frear o progresso, mas assegurar confiança e transparência a pacientes, instituições e profissionais.

Os sistemas processam informações, mas quem compreende pessoas são os especialistas que cuidam delas. São eles que percebem o medo, a dúvida e a dor que não aparecem em relatórios. O futuro da saúde não depende de hospitais sem pessoas, e sim de instituições que saibam unir tecnologia, empatia e propósito. O hospital cem por cento inteligente é aquele que usa a inovação para potencializar o humano. A verdadeira inteligência na saúde continua sendo a capacidade de acolher e a pertinência do cuidar.


*Bruno Muszkat é médico radiologista e CEO da Medicom Exames.

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