Ansiedade é mais prevalente no RJ, enquanto depressão e insônia desafiam SP
Estudo da plataforma de saúde mental Telavita aponta diferenças importantes no perfil emocional de paulistas e cariocas. No Rio de Janeiro, 83,81% dos atendimentos envolveram questões relacionadas à saúde mental, índice ligeiramente superior ao de São Paulo, que registrou 82,66%. A ansiedade aparece como o principal desafio entre os cariocas, enquanto os paulistas enfrentam com mais frequência casos de depressão e insônia. O levantamento considera 32.159 atendimentos realizados entre 2024 e 2025.
No estado fluminense, o CID F41 (transtornos ansiosos) aparece em 52,91% dos atendimentos, enquanto em São Paulo o índice é de 50,86%. Já os episódios depressivos (CID F32) se destacam entre os paulistas, atingindo 10,74% dos atendimentos, frente a 9,26% no Rio de Janeiro. A insônia também é um desafio mais presente em São Paulo, com 6,35% dos casos, contra 5,81% entre os cariocas.

A análise por faixa etária reforça essas diferenças. Entre 19 e 53 anos, os cariocas apresentam níveis mais altos de ansiedade do que os paulistas da mesma idade, com pico entre 39 e 43 anos, quando 48,77% dos atendimentos no Rio são relacionados à ansiedade, frente a 40,62% em São Paulo. No caso do estresse, o comportamento é inverso conforme a idade: jovens cariocas, entre 19 e 23 anos, registram mais reações agudas ao estresse (3,53% no RJ vs 2,19% em SP), enquanto entre os adultos de 44 a 58 anos, os paulistas apresentam índices mais altos (5,12% em SP contra 3,06% no RJ).
Segundo Aline Silva, Head de Psicologia da Telavita, esses recortes ajudam a entender como fatores culturais, sociais e de rotina impactam os sintomas emocionais predominantes em cada região. “Diferente do esperado, no Rio, observamos uma ansiedade mais acentuada, o que pode estar relacionado a fatores como rotina urbana intensa e altos níveis de insegurança. Já em São Paulo, há um perfil mais voltado à sobrecarga de trabalho e à dificuldade de descanso, o que explica a maior incidência de depressão e insônia”, comenta Aline.
A psicóloga destaca ainda que o comportamento emocional também muda conforme a idade. “Jovens tendem a reagir com mais intensidade a situações de pressão, o que explica o aumento dos casos de estresse agudo no início da vida adulta. Já entre os mais velhos, a ansiedade e a depressão muitas vezes estão associadas à sobrecarga, ao isolamento e às expectativas profissionais”, explica.
Para Aline, compreender essas diferenças é essencial para criar estratégias de prevenção mais eficazes. “O cuidado com a saúde mental precisa considerar o contexto de cada pessoa, como cidade, rotina, faixa etária e estilo de vida. Personalizar o acolhimento é o que realmente faz a diferença na promoção do bem-estar”, conclui.
