Cenário

2021: os desafios da saúde na “Era da Conveniência”

Estamos no início de 2021, mas as demandas de 2020, ano tão atípico, ainda vão nos acompanhar por um tempo. É certo que esta crise se tornou uma alavancadora de um novo olhar sobre diversos setores funcionais da nossa sociedade, entre eles, com certeza, a saúde.

Por Claudia Toledo
General Manager da Elsevier Clinical Solutions no Brasil

2020 foi um ano de quebra de paradigmas. Espe­cialmente na área da saúde, muitos desafios foram enfrentados e muitas decisões precisaram ser to­madas com rapidez. Tivemos menos profissionais disponíveis, necessidade real por atendimento remoto e por rápido desenvolvimento de tecnologias para atender a demanda urgente. Vivenciamos discus­sões essenciais sobre interoperabilidade, registros eletrônicos de pacientes, privacidade dos dados e compreendemos a necessidade de mais informação confiável disponível para suporte à decisão clínica. Tudo isso em um único ano. Todas foram acelerações geradas pela Covid.

Em documento intitulado “A saúde do Brasil em 2021 – reflexões sobre os desafios da próxima década” a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) traz ponderações sobre mudanças na área da medicina – que podem ser estendidas a outras práticas de saúde – e lança luz à necessidade de colocar o paciente em primeiro lugar, aceitando a tecnologia como meio de fazê-lo. A Sociedade diz que é preciso modificar a relação “paciente-comu­nidade-hospital” e “desospitalizar” por meio do in­vestimento em tecnologias que aumentem o poder resolutivo desse novo profissional da saúde. O obje­tivo, de acordo com a SPDM, é atender as demandas da população, com eficácia e segurança.

A pandemia trouxe a possibilidade de acelerarmos a implementação de tecnologia e já experimentamos algumas ações que estavam paradas por conta de discussões e regulamentações do setor. O grande exemplo é a Telemedicina.

A Covid acelerou a utilização da telessaúde ampla­mente no mundo todo. Um estudo da McKinsey nos Estados Unidos estimou que os médicos atenderam entre 50 e 175 mais vezes pacientes por telemedici­na do que antes. A prática traz inúmeras oportu­nidades: pagamento igual a uma visita presencial, possibilidade de atendimento do paciente em casa (especialmente valioso para pacientes crônicos e idosos); falta de necessidade de relacionamento prévio médico-paciente; redução de custos para o médico e aumento da possibilidade de atendimento além da área de cobertura, entre outros.

Se o apoio regulatório permitir, em 2021 a telessaúde deve se consolidar como uma modalidade de atendi­mento definitiva. Vivemos na “era da conveniência” e é fato que a telemedicina reduz filas de espera de uma forma que a visita presencial não consegue atender, permite que o médico cuide do paciente ao vivo, conecta médicos de diferentes especialidades – melhorando a decisão diagnóstica e de tratamento – e aproveita as ferramentas de telemonitoramento importantes na gestão de pacientes crônicos.

Neste cenário, torna-se imprescindível a adoção das ferramentas de apoio à decisão clínica por médicos e demais profissionais da saúde para uma orienta­ção correta e eficaz. Em um mundo inundado por fake news, disseminadas por falsos especialistas, a tecnologia precisa estar aliada à informação segura e baseada em evidências. Na saúde, ambas devem andar de mãos dadas e se desenvolver juntas. É cada vez maior a pressão pelo acesso a informações certas, e estas evoluem rapidamente. Não é possível espe­rar um congresso para se atualizar, não há tempo suficiente para ler tudo o que é publicado na info­demia. É urgente que as equipes clínicas tenham as informações corretas na hora em que precisam.

Esses são os maiores desafios para 2021 e para os próximos anos. Precisamos compreender que não existe futuro sustentável na saúde fora da tecnolo­gia e é necessário nos adaptarmos à nova realidade antecipada pela pandemia. Acredito que este ali­nhamento dará o tom para o ano.


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